a explicação para abanar a cabeça

Standard

Sinto que estou em depressão há mais de sessenta dias. Quando este sintoma se manifesta a vontade de dormir ocorre a toda a hora e em qualquer lugar. O que é compreensível tendo em conta que não consigo adormecer nas horas ditas normais: das 00h00 às 08h00. No entanto para ser verdadeiro a narrar os factos terei de dizer que adormeço, mas não consigo dormir – absurdo eu sei. É o que acontece quando se sofre de ansiedade ao quadrado, pânico ao cubo, em suma quando se vive atrelado a um transtorno obsessivo compulsivo.

“Adormecer e não dormir” como posso explicar isso? Tenho duas teorias perfeitamente válidas.
Primeira teoria: tenho 6 fases do sono. O que faz de mim um caso clínico único. Okay. Esta teoria não tem fundamento. Afinal só tenho uma teoria válida.
Segunda teoria: tenho um superego freudiano altamente marado que não aceita o absurdo – certo/errado – do onírico. Explicando. Adormeço a maior parte das vezes rapidamente e acordo mal os meus neurónios percebem que no sonho alguma situação não está de acordo com o usual. Tipo: estou a voar e isso está incorrecto, por isso o meu cérebro como que acorda e tenta corrigir esse erro ou estou a correr muito lentamente, nunca alcançando o objecto do meu desejo. Sim, nem a dormir consigo me conciliar com o paradoxo de Aquiles e a tartaruga. E, como tal, passo o resto da noite a forçar um sonho aceitável no qual sou um ninja, alguém com o poder de atravessar paredes ou estou a ser bajulado por um milhão de ursos de peluche vivinhos da silva – são energizados por pilhas Duracell. Entre este acordar/sonhar/forçar acabo por nunca conseguir dormir em perfeita sintonia com o colchão. Como dá para perceber esta teoria é a que mais pernas tem para avançar.

Por hoje, chega de explicação. Vou meter as mãos nos bolsos da minha pele e sonhar ou adormecer a tentar.

lol, camouflage 6.1 – by books

Standard

lol in typical Next Thursday fashion has navigated through books never before navigated. He has left the three-dimensional space and entered the multidimensional space. He is looking for the perfect book for his hideaway. So, he jumps from book to book like a grasshopper – free of responsibilities, of deadlines to meet. His current motto could almost be “Pack your knapsack and go.” After so much jumping and running through amazing, minimalist and tragic books, of dense, light and dour writing, he opts, for his lair, for an illustrated book filled with people sitting on roofs, peering from windows and doors, descending and ascending stairs, dressed in blue, green, brown, yellow or striped, traveling on a train, ship or submarine; with strange and normal objects; with real bears and teddy bears; with fish and dinosaurs, horses, cows and even robots. In that crowd, that mosaic of confusion, lol realizes, finally, that he will be camouflaged. Then we hear him say ‘let me through’ while bypassing a green tank driven by a yellow fish; ‘do not push’ as he crosses paths with a blue group of soldiers; ‘do not fall’ as he faces Humpty Dumpty, who is on top of a wall made of books. Then we see him getting more than annoyed when he observes that the house made of cards is occupied by an astronaut, a skier, a conductor, a matrioska. lol throws his arms up high and grumbles loudly ‘SERIOUSLY! EVEN A MATRIOSKA?’

[… an excerpt …]