de tal maneira que deixei de sonhar

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De tal maneira que deixei de sonhar. Só os pesadelos me visitavam. Eu estava aleijado desse orgão que segrega as matérias do sonhar. Eu estava doente sem doenças. Sofria dessas maleitas que só Deus padece. Aconteceu assim: primeiro, me acabou o riso; depois, os sonhos; por fim, as palavras. É essa a ordem da tristeza, o modo como o desespero nos encerra num poço húmido.

Mia Couto, A Varanda do Frangipani (pág. 131)

os escolhidos: junho, 2011

Nota
  1. tão amigas que nós somos! é a conclusão diabólica que chego ao ver duas velhas crianças a ricochetear piadas.
  2. não sei o me aconteceu, mas adormeci com um tijolo de 500 páginas; mais grave é que ninguém me ter acordado. que família amorosa.
  3. por falar em diabos ainda não comprei a prenda para a senhora do meu castelo. estou feito ao bife. sei que recebi pistas – estava distraído?
  4. não se assustem. acordei.
  5. um dedo com uma unha pontiaguda é uma arma bué de perigosa!..
  6. ai jesus, ai nossa senhora são as palavras de ordem ouvidas aqui e ali; odeio estas indecisões!
  7. não me apetece ir lá. gostava de ficar por cá, estirado, com o tijolo na pança… mas forças superiores aparecem na esquina…
  8. nunca vi um homem tão contente ao atender o telemóvel a almoçar; entretanto extraía com a unha restos de comida entre os dentes – memorável.
  9. “há regras. muitas regras.”, disse ela; e com muita pena nossa nunca são cumpridas.
  10. se não souber amanhã o que não sei hoje, tê-lo não sabido ontem não iria resolver rigorosamente nada.
  11. ia colidindo com uma grávida. seria algo semelhante a um impacto profundo ou até a um encontro de titãs.
  12. hoje é um dia, entre muitos, que sinto uma tristeza pouco saudável. falta saber se é um tristeza crónica ou uma ressaca disfarçada!?
  13. cheguei. acabou a choradeira…