uma explicação

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Um destes dias tentei explicar a alguém e ao meu mim como funciona a minha mente, cabeça, cérebro, massa cinzenta, como diria Poirot, ao tentar relaxar para dormir ou apenas relaxar pelo relaxar.

Pensa no zapping. Clicas num botão percebes umas imagens, uns sons durante três ou cinco segundos. Clicas novamente. Outras imagens e outros sons. Três, cinco segundos. Zip. Novas imagens e sons. Zap. Imagens e sons; mais Zip e Zap. Entretanto passaram três minutos e foram vistas imensas imagens e ouvidos outros tantos sons. O que foi retido nada de nada – zero. E zero foi, igualmente, o relaxamento, ao não conseguir utilizar uma imagem/som que me fizesse descomprimir e adormecer ou esvaziar, simplesmente, o pensamento.

Acho que o mar é o meu único facilitador de relaxamento. Adoro vê-lo, sentir o seu cheiro, a sua espuma, o seu sabor salgado. Gostava de ter uma cama virada para o mar. Será o meu obscuro desejo?

Complicado? Vou tentar outro exemplo. Pode ser?

Imagina o motor de um Outerlimits 50′ Catamaran a trabalhar em ralenti. Os seus 2.500 cavalos adormecidos, em rom-rom rom-rom rom-rom. A lancha está calma. Aconchegada pelo mar. Aí carregas no acelerador, o motor ruge – vroooommm! Largas o pedal rom-rom rom-rom rom-rom. Vroooommm! Rom-rom rom-rom rom-rom. Vroooommm! E nesta subida constante das rotações o teu cérebro nunca chega a descansar. Quando menos esperas é-te arrancado um vroooommm!

Percebeste agora?

maravilhas

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E maravilhei-me com a nossa longa e complexa história humana, a nossa evolução até à postura erecta e cérebros do tamanho de cachos de uva, a nossa descoberta do fogo e ritos fúnebres, o nosso desenvolvimento da linguagem e rituais e dança, as nossas pinturas rupestres, a nossa invenção de utensílios e agricultura e ourivesaria, as nossas belas culturas materialistas, as nossa cidades antigas, os nossos aquedutos e teares e calendários solares, as nossas maquetas do universo, a nossa invenção do telescópio, a nossa descoberta do cálculo, os nossos balões a hélio e máquinas a vapor e estações espaciais e computadores, e com o labirinto de organizações mentais e psicológicas que seguiram ou precederam estas fases evolutivas do passado, tudo para chegarmos a isto, a escovas de dentes dos 101 Dálmatas e meias que servem de chinelos e calendários de Gatos ao sol e caixas de bonecos falantes com a cara do Michael Jordan.

páginas 20 e 21

John Vernon, Um Livro de Razões
título original: A Book of Reasons
tradutor: Tânia Ganho
editor: Cí­rculo de Leitores, Navarra, Espanha, Abr. 2001,
isbn: 972-42-2461-9

reasons… death…

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from somewhere

A world of immortality is inherently inconceivable, if not downright unpleasant to think about.
Sustaining life (or postponing death, depending on your point of view) is what makes life worth living.
Eating, sleeping, working, playing, procreating… this is all the process of sustaining our lives; of avoiding death.
Having a life without death would be like having a bicycle without pedals.
It just wouldn’t go anywhere or do anything.
There would be no reason for it.

Encontrei isto na minha pasta TEMPO. O ficheiro .txt tinha a data de 1999 A.D. (?)