at least this

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The thing about heads is that they never shut up. Separated from their bodies, it’s as if their minds and tongues have been liberated. Without bodies, brains feel no shame in endless banter, in expressing every little random thought. It’s really quite rude.

from The Oz Suite by Gerard Houarner

rios gigantes, desertos gelados, taiga sem limites

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Rios gigantes, desertos gelados, taiga sem limites, temperaturas extremas: na Sibéria, a geografia é de uma grande rudeza. A história também, pois fez dela a terra dos condenados e dos deportados, um dos nomes da Dor do século XX. E no entanto é possível encontrar um encanto secreto nesta parte do mundo, que tão bem materializa o velho termo solidão, e que é uma espécie de alto-mar em terra. Foi o que me aconteceu.

Sibéria por Olivier Rolin

tal como a natureza abomina o vácuo

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Tal como a natureza abomina o vácuo, os homens abominam o vácuo da História, a descontinuidade forjada pelo imprevisto, de modo que vão atrás e preenchem-no, vão atrás e tentam perceber como aconteceu, tentam identificar aquilo que não viram antes, aquilo para que foram cegos e que agora veem na perfeição. Voltamos atrás e revimos o nosso entendimento do mundo, com o benefício de termos participado no próprio acontecimento.

de À Luz do Que Sabemos de Zia Haider Rahman (páginas 180 e 181

de tal maneira que deixei de sonhar

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De tal maneira que deixei de sonhar. Só os pesadelos me visitavam. Eu estava aleijado desse orgão que segrega as matérias do sonhar. Eu estava doente sem doenças. Sofria dessas maleitas que só Deus padece. Aconteceu assim: primeiro, me acabou o riso; depois, os sonhos; por fim, as palavras. É essa a ordem da tristeza, o modo como o desespero nos encerra num poço húmido.

Mia Couto, A Varanda do Frangipani (pág. 131)

lembro-me de si

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Era mais do que eu podia esperar e foi um puro prazer, um regresso ao passado sem um átomo de desapontamento – o passado recapturado, como um refúgio, tudo o que sempre quisera que fosse uma chegada a casa, mas uma chegada destas a casa (pelo menos no meu caso) nunca acontecera. Era um caminho de regresso maravilhoso, como se aquele homem dos seus cinquenta anos, que da outra vez era um adolescente, estivesses à espera que eu regressasse.

Paul Theroux, Comboio-Fantasma para o Oriente (pág. 290)