de lado – 0036

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Por favor não digam que sou bom porque, assim, terei os canibais de olhos postos em mim. Não digam, também, que sou mau para evitar as visitas de qualquer evangelista.
Digam que sou assim e assim.

from the perverse mind of paulo brito

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lol, camouflage 3.0 – art auction

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lol was walking on the street Faubourg Saint-Honoré when he was attracted to a sign advertising a pixelated art auction. He went in and sat down. It was with amazement that he saw passing and passing, before his eyes, art in which the pixels were law and crime, order and chaos. Everything was taking place harmoniously when someone shouted an omg before the exhibit of the collection 404: a simple black pixel over white – the ultimate representation of minimalism or perhaps the true “ready made”; before being it already was. The truth is that lol, after hearing the release of those three simple letters, cackled a more than audible lol. He was discovered, pointed out and had no choice but to get himself a new skin.

afectos

seios
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neon glass vibrator

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Tudo corria bem nas instalações da Sociedade de Multi-Serviços Afectos, Lda até a unidade de aquecimento central entrar em colapso total. Os clientes já se queixavam do excesso de frio e nem como a melhor boa vontade as meninas conseguiam elevar o ambiente a uma temperatura agradável. Diversos funcionários em representação das suas empresas se deslocaram às instalações da Afectos, mas eram constantemente distraídos pelas visões das meninas que maldosamente desfilavam em frente de uma multidão de olhos esbugalhados. Eles nunca passavam do hall, e a central de aquecimento estava na cave. O problema persistiu por meses e Mia a chefe da secção já não sabia o que fazer. Felizmente Mata Fi, a Mestre da Afectos, era uma eficiente CEO. Saltou para cima das meninas e resolveu logo ali, assim de rajada o problema. Pode-se dizer que para ela não existem problemas, apenas soluções. Para se perceber a sua mestria basta seguir com atenção um galopante dialogo entre uma autêntica guru da reengenharia empresarial e a sua melhor fornecedora de afectos, Mia.

‘Olá! Boa tarde. Telefono só para informar que o problema já se encontra resolvido.’

‘Eu sei Mia, o espalhafato foi tanto… eu tenho andado em cima do acontecimento. Por exemplo… tem informação, tem informação, já veio e ele, não, não, não. Até que um dia eu disse-lhe: então tanta coisa e ainda não veio nada. E ele pediu. E ele telefonou na minha frente. E sei que pediu e que num lhe mandaram…’

‘Eu sei Dona Fi, mas todas tínhamos medo de ir à cave para descobrir qual o modelo do…’

‘É por isso que a mim anedotas dá-me vontade de rir. E porque, ó Mia tudo… as coisas pode demorar dias, pode demorar tempo, mas tudo vem a dar certo e tudo vem-se a saber, e… e… a… a… eu não entendo quando vejo mesmo assim as coisas na minha cabeça não me cabe determinadas coisas que a minha maneira de ser não é assim. Tá a entender Mia?’

‘Não diga isso Dona Fi eu não sou uma anedota. Sou boa nos afectos. Eu um dia ganhei coragem… sabe, mas a luz da cave estava fundida e não tínhamos lanternas…’

‘Pois, pois, pois, pois…’

‘Podíamos ter tirado as pilhas dos vibradores, mas sem lanternas, o que se fazia, não é?’

[em continuação…]

apenas o início de uma história a partir de eventos não reais.

haja ânimo

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Todos os dias eles subiam a mesma escada; encontravam, logo no topo, assim de rajada, enclausurado na vitrina de sempre, o mesmo cartaz com os dizeres “Haja Ânimo”.

Todos os dias, que eram tudo menos santos dias, contavam mentalmente, com o coração cheio de desânimo, os degraus: e um, e dois, e três, e agora quatro, e cinco, e já está quase, e seis, e sete, e oito, e noveeeeee e raios partam tudo… ufa… dez. E logo no patamar o cartaz que já foi de um amarelo vivo, agora descolorado pela passagem dos anos, sorria desdenhosamente para eles a publicitar um já muito ultrapassado “curso prático contra o desânimo, o ruído, o medo e a solidão”. Sentiam, quando o deixavam para trás, o sorriso espetado nas costas – a gozar com eles.

Eles que já foram crianças cheias de sonhos, adolescentes com hormonas saltitantes, adultos com esperanças, velhos com saudades. Eles que passaram por todas as pungentes quatro fases de um ciclo de vida, mas ao contrário da borboleta a última fase não é de um lindo renascimento, vêm-se agora numa nova, assustadora e inesperada quinta fase: a fase zombie.

Eles de olhos mortiços, corpos amortalhados, de andar morrediço são os novos zombies; são a corporalização do desalento, do dilaceramento individual; são autómatos de carne e sangue que obedecem sem reflexão a vontades incoerentes. Eles sabem-se bobis que recebem diariamente um osso descarnado em troca do nada.

O que lhes resta? Certamente a revolta, porque a vida nunca são dois dias.

odeio sudoku! (excerto)

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Ando sem apetite. Com desejos de experimentar coisas novas. Não me recordo, nestes últimos anos, de ter esta necessidade, assim, tão premente.
São 22h31 e, enquanto passeio pela Rua de São Bento que me leva ao interior do Centro Comercial do Terço, percorro com os olhos para a direita, para a esquerda – nada desperta o meu interesse. As mesmas coisas. Os mesmos potenciais sabores.

Terminei a minha história sobre vampiros para enviar para a Revista Digital miNatura 133.

O tema anterior, da revista 132, foi Área 51.

um conselho e uma decisão

tomate e chouriça
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O conselho
Nunca oferecer o último rebuçado a uma pessoa mais gulosa do que nós. Ela, egoisticamente, vai o aceitar e nós vamos ficar a chuchar no dedo. Isto não aconteceu comigo, mas tenho conhecimento de causa por experiência própria.

A decisão
Decidi enfrentar um dos meus maiores medos. Ficar com o fecho éclair preso na pele do escroto. Esta intrepidez, de fim de ano, tem mais a ver com o facto de estar cansado de escolher entre modelos de calças apenas com botões e pretender alargar a minha escolha para outros modelos, do que enfrentar um dos meus muitos medos. Eu orgulho-me de ter medo e com isso declarar “sou homem e mortal” – o que é um homem sem medo? Deus?

De olhos bem abertos puxei uns versáteis jeans “chino” e pim! pam! pum! o que meu pior temor não aconteceu; claro que desta vez o que contribuiu para a não ocorrência de acidentes foi ter revestido as minhas partes baixa com umas cuecas. Sou um homem de soluções.

eram diabos à solta… ou zombies!?

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Ontem Barcelos, uma grande aldeia com muitas casas, ficou literalmente às escuras durante mais de 5 horas. De imediato as luzes de presença colocadas em locais estratégicos da casa activaram-se e durante 1 hora ainda houve luz eléctrica. Depois como bom pater familias que sou resolvi o problema com uma facilidade assustadoramente simples – coloquei velas.

Tudo correu bem com as duas crianças enquanto a PSP e as DS tiveram bateria. Depois com a ausência continuada e prolongada das consolas e da TV foi um pouco complicado gerir o ambiente familiar.

Tentei explicar aos meus filhos o impossível – que quando tinha a idade deles ficar sem luz eléctrica era mais que normal em noites de maior chuva e vento. As velas, os lampiões eram objectos obrigatórios em qualquer casa. Isto ainda tentarem compreender e, por isso, aceitar a situação anormal que presenciavam, foi a primeira vez para a Margarida, mas quando mencionei que até se usavam à noite penicos quando eu tinha a idade deles senti que deixaram de me ver como um pai e mais como um neanderthal. Mudei de “onda” e o stress criado pelo ambiente à século XIV foi disperso quando recorrendo aos meus dotes teatrais fiz de palhaço e animei a família.

Mal sabia eu que o pior estava para vir. Eram 20.30 e Barcelos ainda estava 90% às escuras quando começamos a ouvir uns grunhidos do exterior. Era uma litania nada religiosa. O teor da ladainha enfadonha, pois claro, inicialmente imperceptível, com mais “coisas” a entoa-la, foi-se revelando – “benficaaaaaaaaaaa… jogooooo……” Percebi de imediato que com os cafés fechados por motivos mais que óbvios, a que não falhou a “casa do benfica”, “os diabos” deixaram de ter os habituais poisos de nidificação à disposição e andavam sem rumo, perdidos, desesperados pela cidade, sem saberem como “assistirem” ao jogo cujo início se aproximava inexoravelmente. Foi além de anedótico, lindamente assustador, ver directamente do conforto da minha casa iluminada à luz das velas “zombies de vermelho” de olhos brancos sem qualquer resquício de inteligência à espera da “luz”!

benficaaaaaaaaaaa… jogooooo……

benficaaaaaaaaaaa… jogooooo……

Sabia que o espectáculo diabolicamente divinal que estava a assistir iria a qualquer momento terminar e tal aconteceu quando sem motivo aparente a EDP cumpriu a sua missão e pontos de luz começaram a despontar inicialmente trémulos, mas logo depois a uma velocidade vertiginosa e nessa altura era ver os “zombies” agora transformados em “mariposas” a correrem histericamente descontroladas em direcção às “luzes”.

Não sei se as “mariposas zombies” ainda chegaram a tempo ao “benficaaaaaaaaaaa… jogooooo……“. Soube, isso sim, que o espectáculo tinha acabado e que a rotina já sem penico ia recomeçar.