de lado – 0018

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4 facts you never knew about books:
01 – books don’t have vitamins & minerals (so don’t eat books)
02 – books aren’t great for the skin (so don’t rub yourself with books)
03 – books don’t promote weight loss (so don’t go to a bathroom scale with a book in hand)
04 – books don’t have a G-Spot…

BUT

all books are pleasurable.

from the perverse mind of paulo brito

o ano do delúvio de margaret atwood

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– Tens a certeza de que estás melhor? – perguntou.
– Estou ótima neste momento – respondeu Pilar. – E o momento é a única altura em que podemos estar ótimos.

página 195, 1ª edição, 2011, Bertrand Editora

Maravilhoso! Assustador!

sinopse
O Sol já brilha no céu, dando ao cinzento do mar o seu tom avermelhado. Os abutres secam as asas ao vento. Cheira a queimado. O dilúvio seco, uma praga criada em laboratório pelo homem, exterminou a humanidade. Mas duas mulheres sobreviveram: Ren, uma dançarina de varão, e Toby, que do alto do seu jardim no terraço observa e escuta. Está aí mais alguém? Um livro visionário, profético, de dimensões bíblicas, que põe a nu o mais ridículo e o mais sublime do ser humano, a nossa capacidade para a destruição e para a esperança.

as outras duas descobertas: “fé nos burros”

fé nos burros
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No dia 25 de Setembro escrevi

Hoje foi um dia de descobertas; duas trouxeram uma frutada surpresa a terceira revelou-se completamente inebriante.
Resolvo para já assinalar a descoberta “inebriante”.

Hoje é dia de escrever sobre as duas descobertas frutadas. Aqui está a primeira.

fenosburros

fé nos burros, apresentação

Fé nos Burros” consiste num projecto de fotografia e vídeo de João Pedro Marnoto em colaboração com a AEPGA (Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino) e com o apoio do Município de Alfândega da Fé que pretende enaltecer a importância da relação Homem-Animal, com especial relevância para as burras, burros, mulas e machos.

Através da presença destes animais, iremos descobrir facetas do quotidiano dos seus donos, desde a sua cultura material, saberes e fazeres de tradição oral, modos de pensar, até aos seus sentimentos e emoções. Deste modo, enquanto se perpetuar esta cumplicidade entre o Homem e o Burro haverá sempre esperança na sobrevivência da espécie que desde sempre fez parte da nossa história e memória colectiva. E que queremos continuar a celebrar e preservar.
texto retirado do site da AEPGA

Esta exposição estava em exibição ao ar livre na Avenida da Liberdade (Barcelos).
E foi uma boa descoberta. Eu via os burros, a minha filha passeava por lá de bicicleta, eu via mais burros e pensava em outros burros.

fé nos burros, duas fotos

fé nos burros, duas fotos

o fim do sr. y

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O livro capta a atenção logo nas primeiras páginas; o facto de ser narrado na primeira pessoa é importante para isso. Ariel Manto é a narradora de uma história delirante, caleidoscópica que entra num redemoinho assim que tem acesso à única cópia existente do livro, que escolheu para a sua tese de doutoramento,  “O Fim do Sr. Y” escrito por Thomas Lumas. E a partir desta descoberta temos outra pérola: um livro dentro de outro livro.

I didn’t notice Ariel Manto is an anagram of ‘I am not real’

Scarlett Thomas coloca-nos noutro plano e obriga-nos constantemente a pensar porque “O Fim do Sr. Y” não tem apenas uma história alucinante de aventura

Quando Ariel Manto descobre uma cópia do livro O Fim do Senhor Y numa loja de livros em segunda mão, nem consegue acreditar no que está a ver. Já tinha ouvido falar no seu autor, um cientista vitoriano de nome Thomas Lumas, e este é o seu livro mais famoso – e completamente raro. Muitos acreditam que contém uma maldição. Todos os que o leram, inclusive o próprio Lumas, desapareceram sem deixar rasto. Com o livro debaixo do braço, Ariel é empurrada para uma aventura onde fé, física, amor e morte se misturam.

o resumo

é um livro profundo e complexo que nos fala da alienação e da procura do saber; onde a linguagem, a moral, a ciência, o tempo, Derrida, o pensamento, Heidegger são questionados.

eis o homem

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Ecce Homo (Eis o Homem) é a frase pronunciada por Pontius Pilate quando apresentou Cristo, torturado e agrilhoado, a uma multidão enraivecida antes da crucificação.

E se Maria fosse uma libertina, José um velho amargo e Jesus apenas um deficiente mental? É uma frase que lida assim em tom seco suscita desde logo ódios e repulsa a qualquer cristão; mas devemos ser inteligentes: ler, ajuizar e criticar.

“Eis o Homem” de Michael Moorcock é um livro que depois de lido, mesmo por qualquer cristão embrutecido pela fé, não causa qualquer ruptura emocional ou ódios estúpidos e não digo isto por acreditar ser ateu.

É uma obra de um grande humanismo que coloca sérias perguntas.

os jogos do capricórnio

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(…) o poço da criação. O reservatório da vida, que é Deus. Alguma vez pensaste que acreditas em Deus? Acordastes alguma vez no meio da noite a dizer Sim, sim, no fim de tudo “há” qualquer coisa. Creio, creio! Não falo de ir à igreja, compreendes-me. Ir à igreja, hoje, não é mais do que um reflexo condicionado, um trejeito, um tique. Falo da fé. Da crença. O estado de iluminação. Também não falo de Deus como se fosse um velho de longos bigodes brancos. Refiro-me a qualquer coisa abstracta, uma força, uma potência, uma corrente, um reservatório de energia por detrás de tudo e ligando tudo. Deus é esse reservatório (…) está cheio de calor e poder, é acessível àqueles que sabem como chegar até ele. Platão soube alcançar o reservatório. Van Gogh, Joyce, Schubert, El Greco. Alguns poucos felizes sabem como alcançar. A maior parte de nós não sabe. Para os que não podem Deus morreu. Pior: para eles, Deus nunca existiu. Ó Cristo como é terrível estar encurralado numa época em que toda a gente se comporta como se fosse uma espécie de morto-vivo (…) Odeio-a. Odeio todo este fedorento século XX, sabes? Estou a falar com algum sentido? Pareço terrivelmente bêbado? Estou a envergonhar-te (…)

Os Jogos do Capricórnio, Robert Silverberg

a servidão humana

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Quando Philip deixou de crer no cristianismo, sentiu que um grande peso lhe fora tirado dos ombros; despojando-se da responsabilidade que sobrecarregava cada acto, quando cada acto era de infinita importância para a salvação da sua alma imortal, experimentou uma viva sensação de liberdade. Mas agora sabia que isso fora uma ilusão. Ao abandonar a fé em que fora criado, mantivera intacta a moral que era sua parte integrante. Resolveu, então, pensar por si mesmo sobre as coisas. Determinou não se deixar influenciar por preconceitos. Descartou-se de vícios e virtudes e rejeitou os princípios assentes do bem e do mal, com a ideia de encontrar por si próprio uma norma de vida.

A Servidão Humana de Somerset Maugham” é uma obra poderosa que foi, na semana passada, relida com os mesmos olhos, mas com outro saber; são mais 20 anos em cima das costas.

siddhartha

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– Siddhartha – disse -, tornámo-nos homens velhos. Dificilmente nos voltaremos a ver nesta forma. Vejo, querido amigo, que encontraste a paz. Reconheço que eu não a encontrei. Diz-me, Venerável, uma derradeira palavra, dá-me algo que eu possa compreender! Dá-me algo para o meu caminho. Ele é muitas vezes penoso, muitas vezes obscuro, Siddhartha.[1]

 

Um dos melhores livros que li nestes últimos 15 dias. São apenas 127 páginas, mas com uma profundidade poética, mística, humana incrível. Não admira que seja a obra mais conhecida de Herman Hesse. No final da leitura, após ter fechado o livro e pousar na mesinha de cabeceira, abateu-se sobre mim uma tristeza enorme, sufoquei em lágrimas. Ainda não estou curado, se é que estarei alguma vez, desta melancolia que continuamente se abate sobre mim e me faz pensar onde pára essa plenitude espiritual, essa paz interior que pensava possuir com 18 anos, mas que era, descobri depois, uma má-fé ao estilo sartreano. Serei outra vez feliz ou vivo à espera de relances muito ténues de felicidade?
Engraçado que em 2006 sofria do mesmo desalento. É crónico já o sei.

Apenas uma aparte…
A páginas tantas do “Siddhartha” lembrei-me da busca do Ser expressa com um toque de humor. Jean-Jacques Loup no seu álbum “Tempos Difíceis”, editado pelas Publicações Dom Quixote na colecção HUMOR com humor se paga, n.º 20, 1985, tem esta prancha apetitosa.

jean-jacques loup

jean-jacques loup

informações
pág. 125 [1]

fdp

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[1] existem pessoas filhas-da-puta que se dizem cristãs e que não frequentam regularmente a igreja
[2] existem pessoas filhas-da-puta que se dizem cristãs e que frequentam regularmente a igreja.
e
[3] existem pessoas filhas-da-puta que não são cristãs

Aceito que as pessoas [1] e [2] sejam filhas-da-puta, porque no livro do deus delas, a tal de Bíblia, não está escrito que:

  • Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus. [mateus 5:43-48]

e muito menos que:

  • Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus; bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus; bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. [mateus 5:3-12]

Por isso as pessoas ditas cristãs podem livremente sem temor ser filhas-da-puta. Podem desejar o mal, ser rancorosas, invejosas. Se a Bíblia nada diz em contrário estarão sempre em paz consigo próprias e acima de tudo com o Deus delas.

E as pessoas [3]? Estas não compreendo como podem ser e viver sendo filhas-da-puta. Sei que não têm um livro em que preto-no-branco estão definidas linhas morais de conduta. Não sabem como seguir o caminho do perdão e da justiça. Mas isso não serve de desculpa. Têm de se auto-corrigir, auto-educar. E se é esta falta de linhas gerais de orientação para a obtenção de uma saudável paz espiritual a desculpa. Se, assim é, aproveito para iniciar um rascunho de um livro guia chamado pura e simplesmente de O Evangelho.

Acho importante que aí se fale num campo de concentração para pecadores que se chamará de inferno. Será um lugar muito quente porque “o fogo nunca se apaga” [marcos 9:43-48]. Que sorte terão os cristãos de não estarem sujeitos a esta futura angústia. E nem poderiam estar a isso sujeitos. Se o Deus deles está impregnado de uma “infinita compaixão e misericórdia”, se é um ser de puro amor como seria possível Ele estar a condenar os seus filhos a um sofrimento eterno.

Aí se falará que a justiça é mais importante do que o amor. Porque apesar de o ideal é que todas as pessoas [3] atinjam a felicidade na penthouse nem todas terão entrada no elevador. Haverá quotas. Qualquer crime será motivo mais que válido para o castigo: o não acesso aos prazeres celestiais da penthouse. Que sorte terão os cristãos, porque a verdadeira essência do Deus deles é o perdão. Ele perdoa tudo até a blasfémia. [levítico 24:10-17]

Aí se proibirá a comida de porco. Quer-se uma alimentação mais vegetal. Que sorte têm os cristãos que podem comer tudo. [deuteronômio 14:8]

Aí não se poderá julgar os outros porque não. Que sorte têm os cristãos que podem julgar toda a gente porque sim. [lucas 6:37]

Com estes princípios as pessoas [3] serão mais tolerantes, justas e boas e poderão viver em harmonia com as [1] e as [2]. [filipenses 2:10] e [romanos 8:33]