i’m a ghost on this place

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I’m a ghost on this place. Does anyone remember me from the old world, I wonder.

Alexander Zelenyj from Experiments at 3 Billion A.M.

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3 dias de cooldown

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O meu filho hoje questionou-me sobre a questão da ressurreição de Jesus Cristo. Afirmou que “não percebo muito bem essa ideia e além do mais morre e só aparece vivo três dias depois? – muito podre esta cena!

Eu tento sempre explicar coisas inexplicáveis com bastante seriedade, e como tal disse-lhe:
– é simples. Estás a ver a cena do wow quando um char morre, mas realmente não morre? Fica em ghost?
– sim, respondeu.
– neste caso é a mesma coisa. A única diferença é que o Spirit Healer tinha um cooldown de três dias. O mais certo era ser um Spirit Healer com uma ligação dial-up.

as minhas leituras de 2011

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De muita leitura saliento os seguintes livros por ordem de chegada:

  • The Coandă Effect, Rhys Hughes (Ex Occidente Press)
    # porque adoro a personagem Corto Maltese; ler uma aventura deste anti-herói foi gratificante
  • Metro 2033, Dmitry Glukhovsky (1001 Mundos)
    # já não me recordava de ler um livro de ficção cientifica com imensa qualidade
  • Eis o Homem, Michael Moorcock (Saída de Emergência)
    # Michael Moorcock no seu melhor
  • Wilt, Tom Sharpe (Teorema)
    # uma história delirante
  • Os Olhos de Allan Poe, Louis Bayard (Saída de Emergência)
    # temos uma história de assassinatos tenebrosa; temos magia negra; alguns fantasmas;
  • Batalha, David Soares (Saída de Emergência)
    # li e reli “Batalha” de David Soares e ainda estou impressionado com a capacidade de inovação de um escritor que me surpreendeu em cada livro que fui lendo; “Batalha” não é excepção – nunca pensei ler David Soares a “poetizar” sobre as verdades da vida de forma tão profunda sob a capa da fantasia.
  • As Mentiras de Locke Lamora, Scott Lynch (Saída de Emergência)
    # leitura vertiginosa e labiríntica.

Tenho para 2012 alguns livros para ler. Terminar a leitura de Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa, e outros mais.

Batalha é o livro que recomendo sem medo. As restante obras de David Soares editadas em 2011 ainda não foram lidas (aguardo o mês de Janeiro para mergulhar nas páginas). O ano de 2011 foi um annus mirabilis em David Soares; mas ele que me desculpe ainda esperei no Halloween assistir ao lançamento de um livro com contos de horror.

A editora que continua a dar cartas é sem dúvida a Saída de Emergência e o motivo do desbaste da minha carteira.

que ousadia! (excerto)

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Acordei com a mão esquerda a segurar os tomates. Nada de anormal este meu acordar; gosto de coçar, acariciar os meus tomates (poderia dizer testículos, mas essa palavra transmite uma ideia de inocência; e os meus tomates são tudo menos inocentes) – gosto de os sentir como contrafortes de um membro que mesmo em hibernação revela respeito.

Saí do sono verdadeiramente satisfeito, a abraçar de braços abertos as minhas almofadas king size Reykjavik-Eider em seda e com metade do corpo acariciado por um edredão Jon Sveinsson; não sou pessoa de gostos elitistas, mas gosto de me vestir com a cama – será um fetiche?

A noite anterior foi economicamente produtiva; até, para variar, sexualmente angustiante; e enquanto depenicava a ponta do pénis a lembrança tornou-se clara.

Seguindo a recomendação de uma cliente habitual aceitei marcar uma noite para a sua amiga necessitada de alguma “distracção”; garantiu-me, “Ela é muito linda.”

A amiga de nome Adalgisa, contrariando a minha sugestão reservou o quarto num hotel que eu desconhecia. Insisti um pouco pois gostava da familiaridade dos meus locais de nidificação, mas perante a sua exigência ou atrevimento? cedi – quem era capaz de pagar pelos meus serviços bem que podia ficar com a ideia de que gozava de algum domínio.

Pelas 21h00, utilizei o elevador, subi ao sétimo piso do hotel e bati à porta do quarto 701 imitando com o melhor empenho possível as quatro primeiras notas do primeiro movimento da 5ª de Beethoven; a batida secreta. Entrei a encarar arregalado (ainda sou susceptível a surpresas) para uma pouco comum máscara veneziana bauta feita de papel machê, de cor ocre, preta e dourada, decorada na testa com um medalhão de ouro e com plumas que ocultava o rosto da minha Adalgisa; o corpo estava vestido com uma longa capa preta que cobria a totalidade do corpo – todo o quadro era iluminado apenas pelas luzes do corredor; a única luz existente no quarto soprava de uma vela. Enquanto fechava a porta não pude deixar de pensar nas palavras “Ela é muito linda.” Seria? A dúvida foi, momentaneamente, relegada para segundo plano quando ordenou “Deite-se de costas na cama. ” “Ah!” “Como pode ver há ali uma cama.” A Adalgisa mordia!

informações: apenas um extracto da história

teco sem-rabo

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Foram descobertas mais duas preciosidades literárias da minha infância: “Teco Sem-Rabo e o Fantasma” e “Teco Sem-Rabo Vai à Pesca” ambos editados pelo Círculo de Leitores em Agosto de 1976.

tem sem-rabo e o fantasma

teco sem-rabo e o fantasma

O escritor sueco Gösta (Lars August) Knutsson (1908-1973) tem a seu cargo os textos das aventuras de Teco Sem-Rabo (no original “Pelle Svanslös”) e os desenhos são da responsabilidade de Lisbeth Holmberg-Thor (1941-).

a mulher fantasma

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– Vamos voltar para o Anselmo, onde nos conhecemos? Tomaremos uma última bebida e separar-nos-emos. Você toma o seu caminho e eu vou pelo meu. Gosto de círculos completos.
“Que geralmente são vazios no meio”(…)

 

Chegado à página 29 pensei. Não me digam que agora vai ser só isto: a procura da mulher desconhecida. Que cena.
Claro que avancei mais na leitura e devo dizer que é uma obra excelente. Adorei as movimentações das personagens. E o final tem tudo o eu esperava e acima de tudo uma reviravolta louca.


A Mulher Fantasma, de William Irish [1]
[1] Pseudónimo de Cornell Woolrich
citação: página 23

a vinda do futuro, outra citação

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É por isso que continuo a caminhar. Porque, como vêem, ser um vagabundo é o que há de mais próximo de ser um fantasma.
Depois, como um autómato, continuei a caminhar tentando afastar do meu espírito o amargo conhecimento de que não tinha para onde ir…

Edmund Cooper, A Vinda do Futuro
título original: Tomorrow Came
tradução: Eurico da Fonseca
editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta n.º 477, Lisboa, Jun.1997
citação: páginas 144 e 158