de lado – 0036

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Por favor não digam que sou bom porque, assim, terei os canibais de olhos postos em mim. Não digam, também, que sou mau para evitar as visitas de qualquer evangelista.
Digam que sou assim e assim.

from the perverse mind of paulo brito

de lado – 0018

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4 facts you never knew about books:
01 – books don’t have vitamins & minerals (so don’t eat books)
02 – books aren’t great for the skin (so don’t rub yourself with books)
03 – books don’t promote weight loss (so don’t go to a bathroom scale with a book in hand)
04 – books don’t have a G-Spot…

BUT

all books are pleasurable.

from the perverse mind of paulo brito

2º mandamento

tomate e chouriça
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Dos 10 mandamentos há um que nunca me foi bem explicado na altura em que ia agrilhoado à catequese:
2º Mandamento – Não usar o nome de Deus em vão.

Hoje a propósito de não sei o quê irei falar porque sim sobre esse mandamento do vosso senhor; exemplificando com questões enviadas por email.

P: No cume máximo do desejo sexual explodi meu Deus! que bom! ai! pará! – violei o 2º mandamento?
R: Claro que não. “crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e conquistai-a” foi a primeira ordem do vosso Deus. Está, como tal, a informar Deus o quanto é bom a tarefa de multiplicação. Pecado será parar a meio.


do vosso teológico BigPole

quando?

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Quando é possível um casal de namorados comungar de um saudável e bufalino traque? Ou seja e visto isto, apenas do lado masculino, quando pode o macho dar um sonoro traque (vulgo pólvora seca) ou emitir um traque silencioso (mais estilo ataque terrorista)? E para que se saiba do que estou a falar o traque é segundo o dicionário online (Priberam) a “Ventosidade que sai do intestino pelo ânus” ou para os mais lentos aquilo que vulgarmente se apelida de peido. Ou será que só casamento é que justifica a comunhão do peido? ou nem o casamento? ou será que é apenas quando o macho namorado/marido partilhando já de uma relação carnal – tipo sexo puro, mas duro – pode exibir os seus dotes e peidar-se sem sobressaltos assinalando até com esse acto que terminou o seu serviço de amante e que deseja dormir até ultrapassar o doce período refractário? ou nem com o sexo o traque está autorizado na relação? Terá o amante sempre de levantar-se da cama, aconchegante, do sofá e verter o(s) peido(s) na solidão do quarto de banho? E se, academicamente falando, como hipótese remota, o macho estiver a conduzir ou a ser conduzido a 140km à hora e urgir a necessidade de arremessar algum vento pelo ânus, ainda não o sabe se sonoramente ou silenciosamente, mas claro que com apenas dois ocupantes não há a quem mais atribuir a culpa, pode-o fazer? ou tem de aguentar, apertando as nádegas em sofrimento, correndo o risco de causar um acidente, se estiver a conduzir, pois estará distraído com uma premente dor abdominal, até à próxima estação de serviço? É aceitável nesta situação de condutor a emissão de um peido ou vários? Porque se estiver no lugar do morto, mais sofrimento não corre do que estar a ser conduzido por uma mulher – pode, pois, unir sem problemas as musculadas, como devem ser, nádegas e esperar pela estação de serviço que se aproxima subjectivamente de forma lenta, mas que se aproxima mesmo assim. E se, remotamente, por qualquer motivo incompreensivelmente válido, os amantes estiverem numa de coitus interruptus e nesse hercúleo esforço o macho peidar-se, é este traque aceitável? Deve o macho ser penalizado pela parceira por uma ventosidade não premeditada? Não será o traque o indicador de que o casal está mais liberto de inibições e que alcançou outro patamar de intimidade? Intimidade que tem muitos degraus e nuances. Não será motivo de orgulho para a mulher quando o macho se levanta pela manhã, coça os tomates e em cada passo cambaleante até ao quarto de banho exprimir a sua felicidade, por ser bafejado por mais um dia de trabalho, de vida, de alegria, de sentir na sua alma o que é ser português, através de uma rajada metódica, equilibrada, cadenciada, sonora de peidos – uma sinfonia zen à rouxinol português?

É um assunto complexo.

Há quem defenda que o traque enquanto função corporal é um acto normal e deve ser até acarinhado pela possibilidade de suavizar ambientes pesados com as risadas, com os trejeitos cómicos de quem fica desnorteado pelo tradicional cheiro português a nabiças, mas altamente concentrado.

Para os SIM o traque deveria ser usado nos meios sociais como símbolo de altivo status e servir para competições: o peido mais sonoro, o mais longo, o mais quimicamente mortal, etc… Contudo há pessoas que entendem superiormente, digo eu, na minha natural modéstia, que o peido é um acto biológico sim, mas individual e que nunca deve ser partilhado.

Para os NÃO o peido tem de ser dado num completo solipsismo social. É o ostracismo do traque fechado tal queijo numa redoma de vidro. Existe, contudo, como muito bem apontou um amigo meu, quando lhe colei algumas frases desta crónica?, uma situação rara, como um caracol veloz, em que o peido pode fazer parte de uma relação amorosa duradoura. No acontecimento, raro pois, da mulher abrir o ânus ao peido é o mesmo que dar a chave de ouro da cidade dos peidos ao macho e a partir daqui é uma Sodoma e Gomorra. É o mesmo que biblicamente dizer “venham a mim os peidos“!

É claro que numa relação fugaz o peido até serve em 49,3% dos casos como desculpa barata ao rompimento, sem necessidade de se recorrer a um jantar para explicar à miúda o inexplicável; que já estamos noutra onda e que ela não tem lugar na prancha. Nestes casos um traque ou até dois, seguido de um pedido de desculpa enquanto colocamos o indicador na boca, mordiscamos a unha e expelimos outro peido, agora, este indesculpável é remédio santo para quebrar qualquer namoro. Na pior das hipóteses a miúda relevando-se uma patetoide até acha piada à nossa desenvoltura corporal e decide contribuir com peidos próprios à festa. Perante isto basta meter o dedo no nariz tirar um bom macaco, provar a sua consistência suavemente com a língua e oferecer como tributo à nossa ex-namorada. Iremos ser chamados de “broncos estúpidos”, o que não deixa de ser verdade, apesar de ela não precisar de usar dois adjectivos com o mesmo significado, mas é compreensível tendo em conta o choque olfactivo que acabou de sofrer. Poupamos 50 euros no jantar e estamos prontos para outras aventuras.

Se apesar disto tudo a miúda não arredou pé estamos perante uma deusa e o melhor é levar a relação a outro degrau.

Depois de 888 palavras a dúvida persiste na minha mente. Deve o peido ser valorizado ou punido socialmente?

Outras divagações sobre o tema poderão ser tratadas noutra altura.

só lhe ficava bem

carnaval, diabos
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A senhora afirmou que “parece coisa do Diabo“. Acho incorrecto que o Diabo tenha crédito em todas as coisas más que acontecem; o Diabo não é tão bom assim. Deus, bem que podia, solidariamente, também assumir de vez em quando a culpa. Só lhe ficava bem.

a transformação

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Hoje pela madrugada dentro estava com os pés completamente gelados e o resto do corpo a tremer que nem decrépitas bandeiras de Portugal penduradas nas varandas ao sabor do vento. Quando o frio começou a subir pelas canelas e a alastrar pelos membros inferiores temi pela saúde do meu pénis e dos meus exuberantes testículos.
Estaria a transformar-me em vampiro? Claro que no clássico vampiro que pede licença para entrar em casa e não aquele que come vegetais ou anda à luz do dia. Um dos motivos que me leva a adorar os vampiros é esta refinada educação. O vosso deus, por exemplo, está em todo o lado e nem pediu permissão para estar neste preciso momento a ler o que estou a escrever por cima dos meus ombros.
Esta ideia romântica de transformação foi afastada pela resposta da minha mais-que-tudo, após ter bocejado um arrepiado “Estou cheio de frio e a tremer. O que se passa?”. “Olha que eu estou cheia de calor.” foram as suas palavras jocosamente apunhaladas nos meus ouvidos.

Assustei-me.

Estaria a minha energia vital a ser sugada? Passados estes anos todos seria a minha companheira de cama uma real Sil? Uma parasita cibernética do planeta “estou-realmente-lixado-da-cabeça“?
“Agora é que não me safo”, sussurrei para a minha almofada.
Senti uma mão a penetrar-me nas costas, a subir até ao pescoço e a dizer “Estás cheio de febre.” A mão e corpo saiu da cama e foi para a cozinha preparar qualquer poção diabólica ao melhor estilo de chá de Santo Daime. Soube isto quando me foi oferecido um copo de líquido branco e efervescente com um irritado “toma isto e vê se me deixas dormir”. Bebi calado e bem caladinho. Não me lembro de adormecer.

Acordei. A fêmea alfa já não estava na cama. Teria sido tudo um pesadelo?