#brexit

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O casamento é um momento glorioso para o casal. Convidam amigos, inimigos, ex-amantes, amantes. Os noivos consideram que esse dia é o dia mais maravilhoso. O dia com mais impacto nas suas vidas. Mentira. O dia mais influente é o do divórcio. Vejam se a saída do UK da EU não tem mais reverberação do que a entrada.

#brexit

há-de desligar

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Tenho o alarme do meu telemóvel apontado para as 13h40, assim de segunda a sexta-feira, um Bip-Bip-Bop-Bip é emitido pelo aparelho.

Hoje foi outro dia em que religiosamente o BipppppppBiiiiip soou estava eu deitado no chão da sala anexa ao escritório e a minha mais-que-tudo deitada no sofá (ambos em total relaxamento). BipppppppBiiiiip: o alarme soava com persistência na outra divisão.

+QT – Este barulho é irritante.
EU – Já vai parar.

BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip

+QT – Este barulho está a tirar-me do sério.
EU – Deve estar a parar.
+QT – Gostava de saber porque tens isto a funcionar mesmo quando não precisas.

BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop

+QT – Pára ou não pára?
EU – Sim há-de parar.
+QT – Xiça!

A +QT levantou-se e foi desligar o alarme que tocava mesmo ali ao lado. Depois daquela porta, em cima da mesa do escritório.

BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop Bippp… e o alarme parou. Eu não dizia que o alarme iria parar em breve. Sou bruxo ou quê?

quando?

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Quando é possível um casal de namorados comungar de um saudável e bufalino traque? Ou seja e visto isto, apenas do lado masculino, quando pode o macho dar um sonoro traque (vulgo pólvora seca) ou emitir um traque silencioso (mais estilo ataque terrorista)? E para que se saiba do que estou a falar o traque é segundo o dicionário online (Priberam) a “Ventosidade que sai do intestino pelo ânus” ou para os mais lentos aquilo que vulgarmente se apelida de peido. Ou será que só casamento é que justifica a comunhão do peido? ou nem o casamento? ou será que é apenas quando o macho namorado/marido partilhando já de uma relação carnal – tipo sexo puro, mas duro – pode exibir os seus dotes e peidar-se sem sobressaltos assinalando até com esse acto que terminou o seu serviço de amante e que deseja dormir até ultrapassar o doce período refractário? ou nem com o sexo o traque está autorizado na relação? Terá o amante sempre de levantar-se da cama, aconchegante, do sofá e verter o(s) peido(s) na solidão do quarto de banho? E se, academicamente falando, como hipótese remota, o macho estiver a conduzir ou a ser conduzido a 140km à hora e urgir a necessidade de arremessar algum vento pelo ânus, ainda não o sabe se sonoramente ou silenciosamente, mas claro que com apenas dois ocupantes não há a quem mais atribuir a culpa, pode-o fazer? ou tem de aguentar, apertando as nádegas em sofrimento, correndo o risco de causar um acidente, se estiver a conduzir, pois estará distraído com uma premente dor abdominal, até à próxima estação de serviço? É aceitável nesta situação de condutor a emissão de um peido ou vários? Porque se estiver no lugar do morto, mais sofrimento não corre do que estar a ser conduzido por uma mulher – pode, pois, unir sem problemas as musculadas, como devem ser, nádegas e esperar pela estação de serviço que se aproxima subjectivamente de forma lenta, mas que se aproxima mesmo assim. E se, remotamente, por qualquer motivo incompreensivelmente válido, os amantes estiverem numa de coitus interruptus e nesse hercúleo esforço o macho peidar-se, é este traque aceitável? Deve o macho ser penalizado pela parceira por uma ventosidade não premeditada? Não será o traque o indicador de que o casal está mais liberto de inibições e que alcançou outro patamar de intimidade? Intimidade que tem muitos degraus e nuances. Não será motivo de orgulho para a mulher quando o macho se levanta pela manhã, coça os tomates e em cada passo cambaleante até ao quarto de banho exprimir a sua felicidade, por ser bafejado por mais um dia de trabalho, de vida, de alegria, de sentir na sua alma o que é ser português, através de uma rajada metódica, equilibrada, cadenciada, sonora de peidos – uma sinfonia zen à rouxinol português?

É um assunto complexo.

Há quem defenda que o traque enquanto função corporal é um acto normal e deve ser até acarinhado pela possibilidade de suavizar ambientes pesados com as risadas, com os trejeitos cómicos de quem fica desnorteado pelo tradicional cheiro português a nabiças, mas altamente concentrado.

Para os SIM o traque deveria ser usado nos meios sociais como símbolo de altivo status e servir para competições: o peido mais sonoro, o mais longo, o mais quimicamente mortal, etc… Contudo há pessoas que entendem superiormente, digo eu, na minha natural modéstia, que o peido é um acto biológico sim, mas individual e que nunca deve ser partilhado.

Para os NÃO o peido tem de ser dado num completo solipsismo social. É o ostracismo do traque fechado tal queijo numa redoma de vidro. Existe, contudo, como muito bem apontou um amigo meu, quando lhe colei algumas frases desta crónica?, uma situação rara, como um caracol veloz, em que o peido pode fazer parte de uma relação amorosa duradoura. No acontecimento, raro pois, da mulher abrir o ânus ao peido é o mesmo que dar a chave de ouro da cidade dos peidos ao macho e a partir daqui é uma Sodoma e Gomorra. É o mesmo que biblicamente dizer “venham a mim os peidos“!

É claro que numa relação fugaz o peido até serve em 49,3% dos casos como desculpa barata ao rompimento, sem necessidade de se recorrer a um jantar para explicar à miúda o inexplicável; que já estamos noutra onda e que ela não tem lugar na prancha. Nestes casos um traque ou até dois, seguido de um pedido de desculpa enquanto colocamos o indicador na boca, mordiscamos a unha e expelimos outro peido, agora, este indesculpável é remédio santo para quebrar qualquer namoro. Na pior das hipóteses a miúda relevando-se uma patetoide até acha piada à nossa desenvoltura corporal e decide contribuir com peidos próprios à festa. Perante isto basta meter o dedo no nariz tirar um bom macaco, provar a sua consistência suavemente com a língua e oferecer como tributo à nossa ex-namorada. Iremos ser chamados de “broncos estúpidos”, o que não deixa de ser verdade, apesar de ela não precisar de usar dois adjectivos com o mesmo significado, mas é compreensível tendo em conta o choque olfactivo que acabou de sofrer. Poupamos 50 euros no jantar e estamos prontos para outras aventuras.

Se apesar disto tudo a miúda não arredou pé estamos perante uma deusa e o melhor é levar a relação a outro degrau.

Depois de 888 palavras a dúvida persiste na minha mente. Deve o peido ser valorizado ou punido socialmente?

Outras divagações sobre o tema poderão ser tratadas noutra altura.

depois de 10 anos

língua
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A minha fêmea dominante desde que leu um inocente desabafo escrito por moi-même no meu antigo facebook gosta de o disparar ad enternum como arma de arremesso; por isso, e como o melhor ataque é encontrar a pior defesa, arroto novamente o desabafo:

depois de 10 anos de casamento ou estamos habituados ou domesticados!

29 de abril de 2011

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ainda com 210 anos, maravilhas da biotecnologia – sou mais máquina do que verdadeiro tecido humano – recordo sem dificuldade o dia 29 de abril de 2011 (o implante cibernético que grava agora a nossa vida recuperou sem problemas as recordações até ao primeiro momento de consciência in utero. onde estavas tu a 29 de abril de 2011? é uma das perguntas dos meus trisnetos sempre que me visitam nos retrógados festejos de anos. respondo, sempre perante os olhares incrédulos, que estava, entre outras coisas, a ver umas fotografias da última ceia dos condenados à morte: last suppers

não entendo como podem esperar outra resposta – continuamente. que acontecimento importante ocorreu a 29 de abril de 2011? muitas mortes. muitos nascimentos. muitas juras de amor. muitos casamentos. muitos funerais. muitos… só se esperam que lhes fale de um casamento real que em tons de fada embruteceu milhões de pessoas “até que a realidade os absorva novamente e se mentalizem, mais uma vez, que o benfica, não ganhará o campeonato de futebol, que os fritos ainda fazem mal, que o iva ainda vai subir mais, que o pato donald ainda não casou com a margarida, que ainda não foi descoberta a velocidade da escuridão, que a gasolina continua cara, que clicar rapidamente no botão de chamada do elevador não o faz chegar mais rápido, que os juros não descem, que o super-homem é na verdade um herói de collants, que continuará a existir anedotas sobre loiras.

uns livros e mais alguma coisa

livros, estantes
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Sendo um sujeito de gostos simples as prendas são fáceis de dar… pois – livros.

livros

uns livros

A única questão é que tenho de fornecer uma lista de livros ao estilo lista de casamento para reduzir a possibilidade de livros já lidos ou já existentes nas estantes. Não que tenha uma grande biblioteca – tenho alguma coisa; na imagem lateral é possível não ver uma singela parede parcialmente tapada por algumas estantes.

bonecada

Não sou um “maluco”, no bom sentido, que adora coleccionar bonecos, mas tenho orgulho em pelo menos dois que ocupam uma das estantes.
Um é o Spawn the BloodAxe (Spawn Series 22: Dark Ages Spawn: The Viking Age), o primeiro do lado esquerdo prateleira; o outro, oferecido pelo Sir Pontix, directamente dos EUA, é o Clown III (Spawn Series 17: Spawn Classic), o último do lado direito da prateleira. Os outros são, geralmente, bónus de outras compras. Claro que o Jungle Troll Voodoo Priest, prenda do meu filho em 2008, é o boneco com maior valor sentimental.

cartas

Procurando mais pela casa ainda encontro mais “coisas” penduradas pelas paredes, mas a que posso destacar é o “quadro” que revela algumas cartas de Magic do baralho que usei no meu primeiro torneio internacional de Magic, Lisboa, na companhia de Pontix e Big Hugo. Foram dois dias espectaculares. Mais tarde tive de largar o vício Magic e as cartas emolduradas servem, agora, como recordação dos fantásticos combates mágicos que realizei.

Ainda tenho um quadro com um poster do anime que mais boas recordações me traz, Conan, The Future Boy, e outro quadro com a capa de uma revista do DD.

No final de tudo são “coisas” que me dão gozo ver quando passeio pela casa.

anos de casados!?

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Bem por esta não esperava.
Hoje ao almoço lembrei-me que é dia 12 e tentei descobrir quem fazia anos este mês:
faço eu, dia 29,
e o dia 29 levou-me a pensar no dia 9
e espanto meu o dia 9 de Julho disparou um violento torpedo às minhas memórias.
Epá não foi no dia 9 de Julho que me casei?” – pensei enquanto olhava para a minha fêmea. Tendo em conta que ela tem andado normal? deduzo com a maior claridade, mais clara que qualquer água benzida, que até a minha cara-metade não se lembrou! Uau!????

No sofá a ver uns desenhado animados na RTP2 perguntei, inocentemente:
“Sabes quem fez anos de casamento na sexta-feira passada, dia 9?”
“Nós fazemos ao dia 9, mas de Junho! Até já festejamos isso, não te lembras?”
“Pois, mas sabes que a Tomada da Bastilha é comemorada em França a 14 de Julho e nesse dia estávamos ainda de lua-de-mel.”

Olhamos com mais concentração um para o outro, olhos franzidos, expressão sapiente e chegamos à conclusão, ao som de uma sonora gargalhada, que antecipamos os festejos com 30 dias de antecedência.

E a aliança não engana!

1994, o casamento

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revista bride, 1994

revista bride, 1994

.abertura de parênteses.
Em 1994 não tivemos a 100% a visão de George Orwell, mas o caminho para o controlo total do individuo pelo estado e pelos gigantescos grupos privados financeiros / farmacêuticos / de saúde/ de comunicação já está pavimentado.
O Big Brother é uma questão mais de oportunidade do que de tempo.
.fecho de parênteses.

Em 1994:

  • Morre Ayrton Senna após bater com o seu Williams na curva Tamburello.
  • Morre Walter Lantz, cartoonista americano criador do Pica-Pau.
  • Morre Agostinho da Silva, filósofo e poeta português.
  • Morre Kurt Cobain, músico e compositor.
  • Morre Fernanda de Castro, escritora.
  • Morre Richard Milhous Nixon, 37° presidente dos EUA.
  • Morre Henry Mancini, compositor.
  • Morre Karl Popper, filósofo.

e morre a minha liberdade individual ao casar-me com uma mulher espectacular e passados que são estes anos todos descubro nas minhas constantes arrumações a revista que serviu de imaginação ao seu vestido de noiva.