de lado – 0023

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A ASAE em conjunto com os Serviços Tributários, a PSP e a GNR está a realizar uma intervenção evangélica este Domingo. Imensas cruzes por todo o país estão a ser apreendidas por não cumprirem os mínimos critérios de higiene definidos pelo Despacho n.º 666/06 de 31.02. A não utilização de toalhetes de PH neutro para limpeza da imagem de Cristo está a levar à passagem de coimas. As congras pagas sem a passagem do respectivo recibo de quitação estão a ser retidas pelos fiscais.
Sabemos igualmente que a PSP e a GNR está a considerar algumas das cruzes armas brancas e como tal está a submeter o seu portador a testes de álcool.

Este Domingo está a ser uma Páscoa negra.

from the perverse mind of paulo brito

os passageiros do vento – a menina de bois-caïman (v. 6 – parte 1)

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Em 1985 terminei a leitura de Ébano que era o último volume da saga Os Passageiros do Vento de François Bourgeon. Tinha na altura uns lindos 17 anos. Adorei Os Passageiros do Vento e a par com A Balada do Mar Salgado, Silêncio, Koolau – O Leproso, O Vagabundo dos Limbos, Os Olhos do Gato e O Cruzeiro dos Esquecidos foi o descobrir outro mundo na banda desenhada para além da Disney.

passageiros do vento

ébano

Em 1985 Ébano agradou-me 99.99%; queria um final para a história mais definido. O conjunto da obra-prima deliciou-me a 110%. A história de uma Isa depravada, nem sempre com a sorte do seu lado, nascida em boa família, mas enganada, decorre no século XVIII, é servida com requinte. Bourgeon revela uma autêntica mestria no desenho. Os desenhos são cuidadosamente detalhados: são as armas, as roupas, os navios. Tudo está tão bem documentado que por vezes fico hipnotizado pela profundidade do ambiente.

Relendo agora a história contada em Ébano com outra maturidade e vivência, tenho de concluir que aquela indefinição, que me aborreceu nos meus 17 anos de idade, ao deixar abertas inúmeras possibilidades, tornou a aventura ainda mais deliciosa e por isso acabava, pensava eu, esta saga marítima com chave de ouro.

Assim não o entendeu Bourgeon. As questões que coloquei ao saber que Bourgeon decidiu, passados que são 25 anos, reunir-se com Isa foi: o que mais há para contar? ou melhor dizendo, será que vale a pena contar algo mais? Bourgeon não correrá um sério risco em perder-se?

Ao ler o 6º álbum (parte 1) d’ Os Passageiros do Vento senti-me novamente imerso em doces sensações. O desenho está melhor do que nunca. E como é isso possível? Simples, o mestre agora com 64 anos superou-se a si mesmo de forma incrível. A história é agora a de uma Zabo, jovem de 18 anos, que em plena guerra civil atravessa o Lousiana, acompanhada por Quentin, um fotográfico, para alcançar a casa da sua bisavó. Inicialmente não pode deixar de pensar o que levou Bourgeon a abandonar as antigas personagens e, odiando estes saltos no tempo, fui levado através de uma narrativa rápida, em que nada foi deixado ao acaso, à presença de uma Isa maltratada pelos infortúnios da vida; Zabo é a bisneta da Isa de Hoel e em flashback somos enviados para o século XVIII e novamente para a vida de Isa.

O resultado final é de tal forma soberbo e nada entediante que mal posso esperar por Janeiro de 2010. Mês que vai encerrar definitivamente este fresco histórico. E baseio-me nestas palavras do autor para ter escrito isso:

La suite de La Petite Fille Bois-Caïman sortira en janvier. J’ai réalisé 142 pages qui forment un tout, et sont scindées en deux albums. En lisant la deuxième partie, on saura ce qui arrive à nos deux héroïnes, et cela mettra un point final aux Passagers. Car je ne vais pas faire vivre Isa pendant 150 ans ! Et je n’ai pas d’envies particulières concernant Zabo. Ensuite, je terminerai le cycle de Cyann, dont il me reste un album à faire. Il sera moins dense que les précédents, ce sera ma récré!

de boidoi.info

trocas esquisitas

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Que diferença faz que lutem por dinheiro ou por uma crença?

The graveyards are filled with men who thought they could not be replaced.

Em 2001 a editora Livros do Brasil começou a editar na colecção Argonauta a grande saga de Roger Zelazny, The Amber Chronicle.
n.º 521, Nove Príncipes em Âmbar [Nine Princes in Amber, 1970]
n.º 527, As Armas de Avalon [The Guns of Avalon, 1972]
n.º 546, O Sinal do Unicórnio [Sign of the Unicorn, 1975]
n.º 556, A Mão de Oberon [The Hand of Oberon, 1976]
n.º 557, As Cortes do Caos [The Courts of Chaos, 1978]
Estes cinco livros (primeira série) tratam das aventuras de Corwin, Príncipe de Âmbar.
Os cinco seguintes livros (segunda série) narram as aventuras de Merlin, filho de Corwin.
n.º 541, Os Trunfos do Mal, [Trumps of Doom, 1985]
n.º 559, O sangue de Âmbar [Blood of Amber, 1986]
[Sign of Chaos, 1987]
[Knight of Shadows, 1989]
[Prince of Chaos, 1991]
Tive a felicidade de adquirir em bom tempo o livro The Great Book of Amber já que é um livro 1 em 10.

the great book of ambar

the great book of ambar

Em Janeiro decidi reler as crónicas de âmbar, mas desta feita em português. Peguei nos livros da minha colecção Argonauta que são comprados mensalmente de forma religiosa, mesmo que os vá lendo com uma ordem muito pessoal, e lancei-me à leitura. Foi ao acabar o segundo livro que procurei na estante o terceiro quando reparo que o n.º 541 da colecção é o primeiro livro da segunda série ou seja o sexto na cronologia. O terceiro livro foi editado com o número 546.
Não faz sentido haver uma edição da segunda série sem os leitores ainda não terem terminado os primeiros cinco volumes. Só faz sentido para um linha editorial que deseja, sei lá, confundir os leitores pouco conhecedores da obra de Zelazny. Assim, se compreende ter ficado de fora da colecção 3 livros.

A Editorial Presença já fez o mesmo com os livros da The Ender Saga. Edita os primeiros 2 livros e deixa de fora os outros 7 (sete).

Bem haja a amazon.co.uk


Roger Zelazny, As Armas de Avalon
título original: The Guns of Avalon
tradução: Alexandra Santos Tavares
editor: Livros do Brasil, 2001, Lisboa, Colecção Argonauta n.º 527
isbn: 972-38-1875-2
citação: página 209