de lado – 0035

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Se gostou disto poderá também gostar daquilo.

from the perverse mind of paulo brito

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quando?

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Quando é possível um casal de namorados comungar de um saudável e bufalino traque? Ou seja e visto isto, apenas do lado masculino, quando pode o macho dar um sonoro traque (vulgo pólvora seca) ou emitir um traque silencioso (mais estilo ataque terrorista)? E para que se saiba do que estou a falar o traque é segundo o dicionário online (Priberam) a “Ventosidade que sai do intestino pelo ânus” ou para os mais lentos aquilo que vulgarmente se apelida de peido. Ou será que só casamento é que justifica a comunhão do peido? ou nem o casamento? ou será que é apenas quando o macho namorado/marido partilhando já de uma relação carnal – tipo sexo puro, mas duro – pode exibir os seus dotes e peidar-se sem sobressaltos assinalando até com esse acto que terminou o seu serviço de amante e que deseja dormir até ultrapassar o doce período refractário? ou nem com o sexo o traque está autorizado na relação? Terá o amante sempre de levantar-se da cama, aconchegante, do sofá e verter o(s) peido(s) na solidão do quarto de banho? E se, academicamente falando, como hipótese remota, o macho estiver a conduzir ou a ser conduzido a 140km à hora e urgir a necessidade de arremessar algum vento pelo ânus, ainda não o sabe se sonoramente ou silenciosamente, mas claro que com apenas dois ocupantes não há a quem mais atribuir a culpa, pode-o fazer? ou tem de aguentar, apertando as nádegas em sofrimento, correndo o risco de causar um acidente, se estiver a conduzir, pois estará distraído com uma premente dor abdominal, até à próxima estação de serviço? É aceitável nesta situação de condutor a emissão de um peido ou vários? Porque se estiver no lugar do morto, mais sofrimento não corre do que estar a ser conduzido por uma mulher – pode, pois, unir sem problemas as musculadas, como devem ser, nádegas e esperar pela estação de serviço que se aproxima subjectivamente de forma lenta, mas que se aproxima mesmo assim. E se, remotamente, por qualquer motivo incompreensivelmente válido, os amantes estiverem numa de coitus interruptus e nesse hercúleo esforço o macho peidar-se, é este traque aceitável? Deve o macho ser penalizado pela parceira por uma ventosidade não premeditada? Não será o traque o indicador de que o casal está mais liberto de inibições e que alcançou outro patamar de intimidade? Intimidade que tem muitos degraus e nuances. Não será motivo de orgulho para a mulher quando o macho se levanta pela manhã, coça os tomates e em cada passo cambaleante até ao quarto de banho exprimir a sua felicidade, por ser bafejado por mais um dia de trabalho, de vida, de alegria, de sentir na sua alma o que é ser português, através de uma rajada metódica, equilibrada, cadenciada, sonora de peidos – uma sinfonia zen à rouxinol português?

É um assunto complexo.

Há quem defenda que o traque enquanto função corporal é um acto normal e deve ser até acarinhado pela possibilidade de suavizar ambientes pesados com as risadas, com os trejeitos cómicos de quem fica desnorteado pelo tradicional cheiro português a nabiças, mas altamente concentrado.

Para os SIM o traque deveria ser usado nos meios sociais como símbolo de altivo status e servir para competições: o peido mais sonoro, o mais longo, o mais quimicamente mortal, etc… Contudo há pessoas que entendem superiormente, digo eu, na minha natural modéstia, que o peido é um acto biológico sim, mas individual e que nunca deve ser partilhado.

Para os NÃO o peido tem de ser dado num completo solipsismo social. É o ostracismo do traque fechado tal queijo numa redoma de vidro. Existe, contudo, como muito bem apontou um amigo meu, quando lhe colei algumas frases desta crónica?, uma situação rara, como um caracol veloz, em que o peido pode fazer parte de uma relação amorosa duradoura. No acontecimento, raro pois, da mulher abrir o ânus ao peido é o mesmo que dar a chave de ouro da cidade dos peidos ao macho e a partir daqui é uma Sodoma e Gomorra. É o mesmo que biblicamente dizer “venham a mim os peidos“!

É claro que numa relação fugaz o peido até serve em 49,3% dos casos como desculpa barata ao rompimento, sem necessidade de se recorrer a um jantar para explicar à miúda o inexplicável; que já estamos noutra onda e que ela não tem lugar na prancha. Nestes casos um traque ou até dois, seguido de um pedido de desculpa enquanto colocamos o indicador na boca, mordiscamos a unha e expelimos outro peido, agora, este indesculpável é remédio santo para quebrar qualquer namoro. Na pior das hipóteses a miúda relevando-se uma patetoide até acha piada à nossa desenvoltura corporal e decide contribuir com peidos próprios à festa. Perante isto basta meter o dedo no nariz tirar um bom macaco, provar a sua consistência suavemente com a língua e oferecer como tributo à nossa ex-namorada. Iremos ser chamados de “broncos estúpidos”, o que não deixa de ser verdade, apesar de ela não precisar de usar dois adjectivos com o mesmo significado, mas é compreensível tendo em conta o choque olfactivo que acabou de sofrer. Poupamos 50 euros no jantar e estamos prontos para outras aventuras.

Se apesar disto tudo a miúda não arredou pé estamos perante uma deusa e o melhor é levar a relação a outro degrau.

Depois de 888 palavras a dúvida persiste na minha mente. Deve o peido ser valorizado ou punido socialmente?

Outras divagações sobre o tema poderão ser tratadas noutra altura.

verdadeiro amor

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A ideia de que o verdadeiro amor está ali, à nossa espera em estado latente, ao virar da esquina é uma ideia perversa. Não se iludam pelo que é dito em sonetos, quadras e outros escritos poéticos, porque o amor não se guarda no coração. O amor fica encarcerado no fígado. O único órgão capaz de processar qualquer quantidade de bílis amorosa.

ana vidazinha, uma visita ao forno

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Hoje realizo a Ana Vidazinha uma necrópsia ao melhor estilo sofista. Para quem não sabe Ana Vidazinha escreveu em perfeita simbiose com Hugo Teixeira o álbum de banda desenhada “Mahou Na Origem da Magia” e tem no forno em modo grill simples o segundo volume – não tenham medo o forno tem um bloqueio de segurança. Sei de fonte segura que teremos um segundo álbum com “uma bela mistura de amoras, framboesas, morangos e cerejas.” A originalidade foi combinar isto tudo com “uma bola de gelado stracciatella estrategicamente colocada no topo de tudo” – simples? sem dúvida, mas quem se iria lembrar disto? quem?? pois… Ana Vidazinha.

E ao contrário de Hugo Teixeira que gosta de cenas ela gosta de coisas. Tem uma queda para a tortura médica, considerada in por quem visita dólmenes; é bafejada por um palato fora do comum.

mahou_na_origem_da_magia

mahou, na origem da magia

Foi a entrevista possível tendo em conta que o microondas tinha acabado de fazer beep – altura para levar o caldo de legumes ao bichano da casa.

1. acreditas que atrás de um homem está sempre uma mulher pronta a lhe fustigar com o rolo da massa ou é mais um mito urbano? já que qualquer homem come com prazer as vossas experiências culinárias?
– Não sei, eu não sou mulher para fustigar com rolos da massa. Em caso de necessidade de armamento prefiro o bisturi, a serra oscilante e o berbequim ortopédico. E uma seringa de quetamina.

2. sabendo que tu és uma grande mulher achas que por essa ordem de raciocínio Hugo Teixeira é um grande homem? ou só de perfil é que engana?
– Não, não, cá em casa sou só eu que sou gorda. Bem, eu e o gato.

3. na altura de dar mimos ficas durante quanto tempo indecisa entre os dois bichanos da casa? e sempre que escolhes o mais fofo é por causa dos bigodes?
– Enquanto decido o gato não espera e instala-se logo no meu colo. Não são os bigodes, é o ronron que me vence.

4. não achas que se Hugo Teixeira tivesse uma dieta à base de brócolos pintalgados com bacon estaria menos virado para certas cenas e inclinado para as cenas que realmente interessam?
– Não resulta, tenho experimentado. Melhores resultados têm as pataniscas de bacalhau. Acabam é depressa.

dolmen

ana vidazinha

5. sei que escreves mais rápido do que o Hugo Teixeira tenta desenhar. Já pensaste em lhe colocar um ultimato tipo “ou avanças com essa prancha ou passo eu a desenhar as tuas cenas?” ou achas que com isso ele regressava à infância que realmente nunca deixou e passaria todo o tempo a brincar com legos?
– Uia, isso era uma ameaça mais para mim que para ele. Não, cada página que escrevo é uma estratégia de fuga. Faço-a, entrego-lha, ele atira-se a ela e enquanto está ocupado, eu posso esquecer que tenho mais pra escrever e dedicar-me a outras coisas.

6. quanto à banda desenhada achas que vais à frente do Hugo Teixeira ou atrás dele? ou tudo depende de quem leva a chave do carro?
– Os nossos carros só têm dois lugares: não dá para ir ninguém atrás. Ainda assim, se um dia tivermos um carrinho de mão prefiro que ele vá atrás a conduzi-lo enquanto eu vou refastelada à frente, no veículo, a ler um livro de BD.

Fiquei a saber que Ana Vidazinha com coisas faz magia na cozinha e com palavras magia nos livros.
Se não tiverem a oportunidade de visitar a cozinha de Ana Vidazinha, temos pena; comprem o seu livro Mahou, Na Origem da Magia e mergulhem numa receita que faz bem ao coração.

 

[1] a imagem de Crumble de Frutos Vermelhos foi rapinada do blog A Casa da Vidazinha
[2] a imagem do dólmen rapinada do perfil da Ana Vidazinha no Facebook
Bom apetite!

maria mariquitas, a entrevista

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Maria Mariquitas teve a coragem, diga-se de louvar, de responder a algumas questões que me iam na alma, alma em sentido literário, já que sou ateu, o que só demonstra que é uma grande mulher medida em termos cúbicos – serei magnânimo e acrescento ao melhor estilo Dupond et Dupont que é uma grande mulher que leva à letra “Liebe Ist Für Alle Da“.

Aqui temos a entrevista possível tendo em conta que esta semana encontramos Sol em Escorpião com Ascendente em Leão.

1. mariquitas é um nome com algum sentido escondido ou é apenas um nome pensado para se ficar com a ideia de coisa “fofa“?
Mariquitas significa Joaninha em espanhol, que em certos países da américa latina, é mais sinónimo de praga do que de coisa fofa, por isso se à primeira vista tem um ar fofo, pode mais aprofundadamente ser verdadeiramente assustador…

2. e voltando ao nome não o achas pernicioso tendo em conta que pode evocar mariquices?
É certo que me chamam muitas vezes de Mariquinhas, mas nunca me ofendeu…

3. amor ao quadrado 25cmx25cm. Não achas que com essas medidas estás a colocar o amor numa moldura de vidro. Amor que deve ser livre e sem medidas?
Nunca tinha visto as coisas sobre essse prisma, mas vou lançar uma colecção xxl de tamanho 50×50 para “dar mais espaço” ao Amor.. a outra hipótese é retirar o vidro e deixar o amor livre e desimpedido.

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amor ao quadrado em moldura 25×25 (uma visão epistemológica do sentimento, amor)

4. se eu te encomendasse um amor ao quadrado? no qual quisesse ver exibido o amor que tenho à minha virilidade eras artista para encarar o projecto com seriedade. Ou ficarias constrangida ao descobrires que ainda existem coisas tão pujantes que iriam certamente castrar a tua musa?
Como artista tenho de estar aberta a novos desafios, mesmo que me deixem de tal forma assustada que não consiga responder ao resto das perguntas.

4. o teu mercado é totalmente feminino ou tens algum macho que ainda não assumiu a sua feminilidade?
O meu mercado, é quase exclusivamente feminino, mas tenho muitos fãs homens na comunidade o que revela certamente uma sensibilidade grande da parte deles.

5. estás satisfeita ao cubo com as tuas realizações artísticas?
Completamente, mas estou sempre a pensar que não consigo fazer melhor o que me angustia profundamente.

6. já pensaste em alargar os quadrados a um mercado mais gótico? Ou vais permanecer nesta cena de que o amor é que está a dar?
Acho o amor estará sempre presente naquilo que faço, mesmo que um dia troque o cor de rosa pelo preto.

Paulo, foi a entrevista mais maluca que já dei na minha vida!!!!

Obrigada!

Não tens de quê. Eu adoro provocar convulsões únicas.

um problema químico…

tomate e chouriça
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Para mim ter uma relação sexual é tão normal como roer a unha do dedo grande do meu pé esquerdo ou, numa imagem mais inocente, como pescar moncos dentro do nariz. Entendo, que pessoal, que só “faça o amor” a cada 29 de Fevereiro se sinta revoltado com a minha desenvoltura – temos pena!

Contudo, hoje, não falarei de sexo, mas de química, para perceberam que BigPole é um poço de sabedoria e para abafar, igualmente, os críticos mentecaptos.
Irão concluir, não apenas que a química está presente em muitos actos da nossa vida, mesmo naqueles que pensamos que não, como eu subjugo não apenas o sexo como a química. Um pouco de arrogância nunca me fez qualquer mal.
Acho que será a primeira vez que vai ser tratado, de forma consensual porque quimicamente, o resultado de uma actividade realizado por qualquer ser humano desde sempre. Tentarei usar uma linguagem simples, singela. Aqui vai…

Ontem, ou se preferirem hoje de madrugada, eram cerca das 03h15m, num ambiente de néon proveniente da minha sanita, quando estava a descer uma calça Denim Fit Loose e uma cueca boxer Hom, com um adorável desenho de fantasia e, cuja textura ultra-leve aconchega na perfeição o meu orgão genital, para alapar as nádegas numa Kohler com assento aquecido, pensava no tempo que se perde a evacuar; daí que tenha sempre à mão algumas revistas para folhear.

Depois de terminar o meu serviço, já com o regueiro limpo e não uso papel higiénico, mas sim as opções de uma sanita 4-1, tem, também, função de bidé e como tal recebo no sítio adequado um jacto de água oscilante a uma temperatura suave e um fluxo de ar quente para secagem, tudo ajustável por comando, ah! e tem controlo de odor, puxei o autoclismo, atirei a roupa para o cesto de roupa suja, e nu preparava-me para um rápido banho de imersão ao som de uma relaxante música ambiente, quando reparei que ficou a boiar no fundo da sanita um resto, razoavelmente redondo, de fezes. Assustei-me. Enojei-me ver aquela coisa a enfrentar-me do fundo da minha Numi. Decidido a acabar com isso usei a função flush-full. O impossível aconteceu e o naco de fezes ganhou ao turbilhão aquático e lá permaneceu a boiar plácido. Assustado duplamente fiquei. Aquilo não se misturava.

Humm….. estaria perante um problema de polaridade? Duplo hummm… hummm…
Vejamos: bebi umas boas cervejas, acompanhadas por um petisco capaz de fazer corar o colesterol. E como sabemos que a água é uma substância polar e as gorduras apolares estaria perante um pedaço de fezes hidrofóbico? Grande questão química percebem? Novo flush-full, o mesmo resultado. Conclui que tinha de anular de alguma forma a polaridade das fezes e como tal atirei para dentro da sanita uns guardanapos que fui buscar à cozinha. Desta vez experimentei um eco-full e pumba o poio desapareceu nos meandros do esgoto. Milagre químico.

Conclusões a tirar? Primeiro que foi mais fácil afundar o Titanic; segundo que tenho de cortar nas gorduras.


o vosso químico BigPole

fifty shades of grey

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Sou curioso por natureza e tentei descobrir o motivo de Fifty Shades of Grey de E. L. James ter já em Portugal uma 6ª edição e para isso nada como ler o dito cujo. Comprei, por isso, Fifty Shades of Grey, na sua versão original, que foi lido com muito esforço (dolorosamente com muito esforço), mais ou menos, até à página em que descobri aquilo que sabia já desde o primeiro ruborescer, da primeira mordidela no lábio.

Raramente escrevo opiniões negativas, passo por cima da leitura, mas, desta vez, não posso deixar dizer que é um livro de uma qualidade medíocre, sem surpresas, e repetitivo, repetitivo, repetitivo.

Recomendo, para melhor leitura, qualquer livro da Colecção Sabrina; é que estes ao menos não enganam pela embalagem. Vejam este resumo:

Cuidado Caroline, voce está brincando com fogo. Para um homem rico como Adam Steinbeck, as mulheres não passam de brinquedos. E você está caindo direitinho na armadilha. Além disso é impossível que um homem charmoso como ele não seja casado e com um bando de filhos” – diziam as amigas de Caroline, preocupadas com seu envolvimento cada vez mais íntimo com o poderoso chefão da empresa onde trabalhava. Porém Adam não era casado, mas viúvo e pai de um rapaz da mesma idade de Caroline e que não hesitou um só momento em mostrar seu interesse por ela.

Passaporte para o amor, Anne Mather