adormecer ao estilo piloto de testes

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Hoje utilizei todas as técnicas conhecidas pela humanidade para adormecer e dormir e outras tantas mais desenvolvidas por mim.

Engoli um comprimido. Apaguei a luz e afaguei a cabeça na almofada de padrão florido – ainda primavera. Fechei os olhos. Iniciei a preparação para o relaxamento. Pensei… pensei que estava debaixo de uma palmeira embutida na areia que traçava na areia uma elegante sombra sobre uma cadeira de praia na qual moi estava refastelado a ler um livro enquanto era embalado pelo som e cheiro da brisa marinha. Já sentia o cérebro a abrir as portas para Morfeu. Ah! a doce sensação de desprendimento invadia o quarto… bem-vinda!

Tudo corria bem. O vento desfraldava as velas com constância. A viagem antevia-se prometedora até pensar o quanto seria divertido se de repente a água do mar congelasse (não impliquem com a impossibilidade científica; estava a preparar um sonho, ou, melhor dizendo, o preâmbulo de um sonho) e todas as pessoas seriam fatiadas pelo gelo: as que estavam a banho, a surfar, a arrancar mexilhões; enfim todas as pessoas envolvidas com o mar de qualquer forma. Sangue, entranhas por todo e qualquer lado, crianças a chorar – desespero total. Resultado, acordei sem estar a dormir. O que se passou com o comprimido para não actuar dentro do tempo regulamentar: dez segundos, o limite para castrar pensamentos parasitas.

Acendi a luz e olhei para dentro do copo para confirmar se continha água. Estava vazio. Confirmei que tinha bebido a água, mas fiquei na dúvida se a acompanhei com o comprimido. Deveria arriscar tomar outro? Assumindo que o meu organismo já tinha absorvido um. Decidi-me pelo não. Não porque tinha receio do que me poderia acontecer com a toma de dois comprimidos, mas sim porque não me apetecia ir à cozinha encher o copo com água. E se afinal o problema não estava na medicação, mas na minha cabeça. O que se passa comigo? foi a segunda questão que coloquei. Sou realmente um máximo a colocar questões.

Duas questões. Zero respostas. Ganhou o inquisidor. Insónia foi a ordem do dia. Encerrada a sessão.

lol, camouflage 8.0 – the steps

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lol goes up the stairs … 1, 2, 3, 4, 34 … He is 10 meters above the ground – verticality. Once he reaches the platform he travels its six meters of length. Inhales, exhales, inhales, sighs. He turns his back. lol is standing perched on the edge of the platform. He takes a deep breath. He boosts himself and jumps. And so we see him travelling in seconds the distance to the water with his legs bent, glued to his chest and his arms holding his shins. At the last moment he opens himself up in such a disorderly manner that the aim of entering the liquid in blue at a 90 degree angle falls apart. He plummets (a perfect “belly-flop”) into the water in a cross position: arms open, legs open – X marks the SPLASH!

[… an excerpt …]

um problema químico…

tomate e chouriça
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Para mim ter uma relação sexual é tão normal como roer a unha do dedo grande do meu pé esquerdo ou, numa imagem mais inocente, como pescar moncos dentro do nariz. Entendo, que pessoal, que só “faça o amor” a cada 29 de Fevereiro se sinta revoltado com a minha desenvoltura – temos pena!

Contudo, hoje, não falarei de sexo, mas de química, para perceberam que BigPole é um poço de sabedoria e para abafar, igualmente, os críticos mentecaptos.
Irão concluir, não apenas que a química está presente em muitos actos da nossa vida, mesmo naqueles que pensamos que não, como eu subjugo não apenas o sexo como a química. Um pouco de arrogância nunca me fez qualquer mal.
Acho que será a primeira vez que vai ser tratado, de forma consensual porque quimicamente, o resultado de uma actividade realizado por qualquer ser humano desde sempre. Tentarei usar uma linguagem simples, singela. Aqui vai…

Ontem, ou se preferirem hoje de madrugada, eram cerca das 03h15m, num ambiente de néon proveniente da minha sanita, quando estava a descer uma calça Denim Fit Loose e uma cueca boxer Hom, com um adorável desenho de fantasia e, cuja textura ultra-leve aconchega na perfeição o meu orgão genital, para alapar as nádegas numa Kohler com assento aquecido, pensava no tempo que se perde a evacuar; daí que tenha sempre à mão algumas revistas para folhear.

Depois de terminar o meu serviço, já com o regueiro limpo e não uso papel higiénico, mas sim as opções de uma sanita 4-1, tem, também, função de bidé e como tal recebo no sítio adequado um jacto de água oscilante a uma temperatura suave e um fluxo de ar quente para secagem, tudo ajustável por comando, ah! e tem controlo de odor, puxei o autoclismo, atirei a roupa para o cesto de roupa suja, e nu preparava-me para um rápido banho de imersão ao som de uma relaxante música ambiente, quando reparei que ficou a boiar no fundo da sanita um resto, razoavelmente redondo, de fezes. Assustei-me. Enojei-me ver aquela coisa a enfrentar-me do fundo da minha Numi. Decidido a acabar com isso usei a função flush-full. O impossível aconteceu e o naco de fezes ganhou ao turbilhão aquático e lá permaneceu a boiar plácido. Assustado duplamente fiquei. Aquilo não se misturava.

Humm….. estaria perante um problema de polaridade? Duplo hummm… hummm…
Vejamos: bebi umas boas cervejas, acompanhadas por um petisco capaz de fazer corar o colesterol. E como sabemos que a água é uma substância polar e as gorduras apolares estaria perante um pedaço de fezes hidrofóbico? Grande questão química percebem? Novo flush-full, o mesmo resultado. Conclui que tinha de anular de alguma forma a polaridade das fezes e como tal atirei para dentro da sanita uns guardanapos que fui buscar à cozinha. Desta vez experimentei um eco-full e pumba o poio desapareceu nos meandros do esgoto. Milagre químico.

Conclusões a tirar? Primeiro que foi mais fácil afundar o Titanic; segundo que tenho de cortar nas gorduras.


o vosso químico BigPole

picada mortal: a começar a leitura

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Wolfe levantou a cabeça. Menciono este pormenor porque a sua cabeça era tão grande, que levantá-la nos parecia obra de peso. Na realidade talvez fosse ainda maior do que se nos afigurava, pois o resto do corpo era tão avantajado, que, se tivesse a coroá-lo outra cabeça que não fosse aquela, passaria inteiramente despercebida.[1]

 

Adoro as histórias de Nero Wolfe, criação máxima de Rex Sout. Adoro-as porque as histórias estão impregnadas de um humor cintilante; adoro-as porque Nero Wolfe é uma personagem cheia de idiossincrasias apetitosas.
Iniciei outra história – Picada Mortal – que parecer ser, mais uma vez, um mistério deslumbrante e que logo nas primeiras páginas oferece ao leitor algo mais sobre o modo de vida peculiar e invejoso de Nero Wolfe.

 

Fritz começou a trazer a cerveja, seis garrafas de cada vez num tabuleiro. Após a terceira remessa, sorri de novo, ao ver Wolfe olhar para a formação de garrafas alinhadas na mesa, e para Fritz, que saía. Mais dois tabuleiros cheios, e Wolfe deteve a parada:
– Quer fazer o favor de informar-me, Fritz, quando isto acabará?
– Muito em breve, sir. Faltam apenas dezanove, pois são quarenta e nove ao todo.
– Disparate! Desculpe, Fritz, mas não há dúvida de que é um disparate.
– Sim, sir. O senhor disse-me que trouxesse uma garrafa de cada qualidade que pudesse obter, e eu fui pelo menos a treze lojas.
– Está bem, traga-as. E algumas bolachas de água-e-sal, também. A nenhuma faltará oportunidade, Fritz; não seria justo.
Ao saborear a quinta marca, estalou os lábios e levantou o copo, para ver à transparência o líquido ambarino.
– Eis uma agradável surpresa, Archie. Se me dissessem, não acreditaria. É, aliás, uma das vantagens de se ser pes­simista. Enquanto um pessimista só tem surpresas agradáveis, um optimista só as tem desagradáveis. Até agora, nenhuma das cervejas que provei era água de esgoto, e comecei pelas mais baratas.[2]

informações[1] pág. 5 | [2] pág. 6

batalha naval

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boletim de voto

boletim de voto

Fui votar. Acompanhou-me a minha filha. Perguntou-me o que estava ali a fazer; no solitário biombo de voto.
– Uma cruz. Estou a fazer uma cruz. Grunhi-lhe enquanto ela me tentava rapinar a caneta.
– Uma cruz?
– Estás a ver aquele jogo que o pai joga às vezes com o “mani”. Em que dizemos acertas-te num submarino, num porta-aviões, água. É quase a mesma coisa, filha, mas aqui a cruz dá sempre água, porque já estamos afundados à muito tempo.

Claro que continuou sem perceber. Mas eu percebi-me.


Pintura de Louis-Philippe Crépin (1772–1851) intitulada “The Redoutable at the battle of Trafalgar”

remodelações

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Tenho o meu aquário parado já à mais de três meses. Ainda está cheio de água, mas sem o filtro ou o aquecimento em funcionamento. Fiquei muito aborrecido pelo investimento num aquário “all in one” e o filtro acabar por estragar semanas de planeamento. Sem esquecer que “queimei” dinheiro.

Aquela campainha que me avisava que era melhor um filtro exterior – e sempre usei filtros exteriores – não foi tida em conta e os resultados foram óbvios; pouco equilíbrio porque pouca filtragem.