quando?

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Quando é possível um casal de namorados comungar de um saudável e bufalino traque? Ou seja e visto isto, apenas do lado masculino, quando pode o macho dar um sonoro traque (vulgo pólvora seca) ou emitir um traque silencioso (mais estilo ataque terrorista)? E para que se saiba do que estou a falar o traque é segundo o dicionário online (Priberam) a “Ventosidade que sai do intestino pelo ânus” ou para os mais lentos aquilo que vulgarmente se apelida de peido. Ou será que só casamento é que justifica a comunhão do peido? ou nem o casamento? ou será que é apenas quando o macho namorado/marido partilhando já de uma relação carnal – tipo sexo puro, mas duro – pode exibir os seus dotes e peidar-se sem sobressaltos assinalando até com esse acto que terminou o seu serviço de amante e que deseja dormir até ultrapassar o doce período refractário? ou nem com o sexo o traque está autorizado na relação? Terá o amante sempre de levantar-se da cama, aconchegante, do sofá e verter o(s) peido(s) na solidão do quarto de banho? E se, academicamente falando, como hipótese remota, o macho estiver a conduzir ou a ser conduzido a 140km à hora e urgir a necessidade de arremessar algum vento pelo ânus, ainda não o sabe se sonoramente ou silenciosamente, mas claro que com apenas dois ocupantes não há a quem mais atribuir a culpa, pode-o fazer? ou tem de aguentar, apertando as nádegas em sofrimento, correndo o risco de causar um acidente, se estiver a conduzir, pois estará distraído com uma premente dor abdominal, até à próxima estação de serviço? É aceitável nesta situação de condutor a emissão de um peido ou vários? Porque se estiver no lugar do morto, mais sofrimento não corre do que estar a ser conduzido por uma mulher – pode, pois, unir sem problemas as musculadas, como devem ser, nádegas e esperar pela estação de serviço que se aproxima subjectivamente de forma lenta, mas que se aproxima mesmo assim. E se, remotamente, por qualquer motivo incompreensivelmente válido, os amantes estiverem numa de coitus interruptus e nesse hercúleo esforço o macho peidar-se, é este traque aceitável? Deve o macho ser penalizado pela parceira por uma ventosidade não premeditada? Não será o traque o indicador de que o casal está mais liberto de inibições e que alcançou outro patamar de intimidade? Intimidade que tem muitos degraus e nuances. Não será motivo de orgulho para a mulher quando o macho se levanta pela manhã, coça os tomates e em cada passo cambaleante até ao quarto de banho exprimir a sua felicidade, por ser bafejado por mais um dia de trabalho, de vida, de alegria, de sentir na sua alma o que é ser português, através de uma rajada metódica, equilibrada, cadenciada, sonora de peidos – uma sinfonia zen à rouxinol português?

É um assunto complexo.

Há quem defenda que o traque enquanto função corporal é um acto normal e deve ser até acarinhado pela possibilidade de suavizar ambientes pesados com as risadas, com os trejeitos cómicos de quem fica desnorteado pelo tradicional cheiro português a nabiças, mas altamente concentrado.

Para os SIM o traque deveria ser usado nos meios sociais como símbolo de altivo status e servir para competições: o peido mais sonoro, o mais longo, o mais quimicamente mortal, etc… Contudo há pessoas que entendem superiormente, digo eu, na minha natural modéstia, que o peido é um acto biológico sim, mas individual e que nunca deve ser partilhado.

Para os NÃO o peido tem de ser dado num completo solipsismo social. É o ostracismo do traque fechado tal queijo numa redoma de vidro. Existe, contudo, como muito bem apontou um amigo meu, quando lhe colei algumas frases desta crónica?, uma situação rara, como um caracol veloz, em que o peido pode fazer parte de uma relação amorosa duradoura. No acontecimento, raro pois, da mulher abrir o ânus ao peido é o mesmo que dar a chave de ouro da cidade dos peidos ao macho e a partir daqui é uma Sodoma e Gomorra. É o mesmo que biblicamente dizer “venham a mim os peidos“!

É claro que numa relação fugaz o peido até serve em 49,3% dos casos como desculpa barata ao rompimento, sem necessidade de se recorrer a um jantar para explicar à miúda o inexplicável; que já estamos noutra onda e que ela não tem lugar na prancha. Nestes casos um traque ou até dois, seguido de um pedido de desculpa enquanto colocamos o indicador na boca, mordiscamos a unha e expelimos outro peido, agora, este indesculpável é remédio santo para quebrar qualquer namoro. Na pior das hipóteses a miúda relevando-se uma patetoide até acha piada à nossa desenvoltura corporal e decide contribuir com peidos próprios à festa. Perante isto basta meter o dedo no nariz tirar um bom macaco, provar a sua consistência suavemente com a língua e oferecer como tributo à nossa ex-namorada. Iremos ser chamados de “broncos estúpidos”, o que não deixa de ser verdade, apesar de ela não precisar de usar dois adjectivos com o mesmo significado, mas é compreensível tendo em conta o choque olfactivo que acabou de sofrer. Poupamos 50 euros no jantar e estamos prontos para outras aventuras.

Se apesar disto tudo a miúda não arredou pé estamos perante uma deusa e o melhor é levar a relação a outro degrau.

Depois de 888 palavras a dúvida persiste na minha mente. Deve o peido ser valorizado ou punido socialmente?

Outras divagações sobre o tema poderão ser tratadas noutra altura.

fui ao cinema a uma quarta-feira

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Fui ao cinema a uma quarta-feira. Não me recordo do que vi. Apenas registei um pormenor: uma pessoa do sexo masculino sensualmente educada, actualmente sem rosto, segurou a porta para eu passar – urinei sozinho. Essa pessoa não estava à minha espera para me reabrir a porta; com a ponta de dois dedos puxei o puxador, abri a porta. Não me recordo, também, em que shopping ocorreu; mas foi na era em que os WC tinham portas. Agora os shoppings mais modernos resolveram a questão da existência das portas à entrada dos WC; estas pura e simplesmente foram suprimidas sem brilho e sem glória. Essa coisa – a porta – é o adereço ridiculamente menos higiénico.

Enquanto retorço todas as minhas curvas ao melhor estilo de contorcionista de circo para não molhar com qualquer pinga marota de urina, ou como seria falado no Discovery Channel, com o líquido segregado pela bexiga, o meu calçado, porque alguém apelidado academicamente de criativo reconstruiu algo a que se atreveu chamar de urinol, mas que servirá, certamente, para muita coisa, excepto para se mijar à vontade, é como afirmar que uma pizza sem queijo é pizza, e sem qualquer ideia de desculpa na mente o urinol ideal tem de abraçar a urina imperturbável, isentando-me de grande ginástica, só me faltava agora até o urinar ser entendido como queimador de calorias, já imagino doentiamente uma tabela que exemplifique a relação entre tipos de actividades e consumo energético, felizmente ainda temos um Phillipe Starck que sabe projectar casas de banho onde o urinar é transformado em acto zen. Raramente me apercebo, enquanto executo alguma acrobacia, de qualquer pessoa do sexo masculino a lavar as mãos após o manejo do falo e por isso quem tiver coragem e estômago imagine, nem que seja por parcos segundos, a vastidão cósmica de bactérias, nojeira pestilenta que essas portas comportam. Eu tive a ousadia, talvez macerada por duas belgas 50dl que me obrigaram precocemente a recorrer a um WC, de cismar em dada altura com a palavra fétida elevada à quinta potência e ao colocar a mão numa dessas portas paralisei de imediato; só um olhar espantosamente vítreo de uma pessoa vítima talvez, pela forma apalhaçada como saltitava ao meu lado (eu bloqueava a entrada para o WC), de uma violenta noctúria diurna me quebrou o transe.

Em algumas das linhas acima escrevi pessoa do sexo masculino não por distracção, mas sim com um propósito. Esse adjectivo serve para distinguir dentro do masculino os homens e os outros. Não basta uma pessoa ser do sexo masculino para ser homem; mas para ser homem homem é, pois com toda a naturalidade, obrigatório pertencer ao sexo masculino. Porque agora é cientificamente correcto afirmar que a sexualidade humana já não se esgota na perfeita, secular, milenar e considerada, até bem pouco tempo, imutável dualidade dois sexos; quando até os cromossomas sexuais compostos por XY nas pessoas do sexo masculino e por XX nas mulheres, o famoso 23º par, levam com uma ruptura epistemológica em cima que faria corar Bachelard, pois além do sexo masculino e feminino há gente pretensiosa que, abalando o bom senso de qualquer bonus pater familias, se decidiu, violando o cariótipo humano, colocar em situações de, digamos, intersexo (gente indefinida, indecisa que tem particularidades masculinas e femininas, dois em um); quando esta gente, tenho de dizer com relutância, com características insectóides, com mais afinidades ao planeta Lepidopterra do que à minha amada Terra, só posso concluir que esta espécie humana monóica só veio dar razão à insanidade de Walter Sparrow pela complexidade assustadora do 23º par, do número 23. Há alguma razão científica para que seja o 23º par a definir as características sexuais? Não houve na altura da representação do cariograma alguém que tenha lutado contra o 23º par? Já todos sabemos o quanto horrendo este número pode ser e mesmo, assim, os cientistas betinhos consentiram que ele diabolicamente e a seu belo prazer defina o sexo da espécie humana? Uns tolos. Onde estava a pró-atividade dos cientistas? – certamente escondida. Não havia alguém devidamente informado da chocante relação com a Lei dos Cinco, pois 2+3=5 – resumindo um caos.

só lhe ficava bem

carnaval, diabos
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A senhora afirmou que “parece coisa do Diabo“. Acho incorrecto que o Diabo tenha crédito em todas as coisas más que acontecem; o Diabo não é tão bom assim. Deus, bem que podia, solidariamente, também assumir de vez em quando a culpa. Só lhe ficava bem.

verdadeiro amor

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A ideia de que o verdadeiro amor está ali, à nossa espera em estado latente, ao virar da esquina é uma ideia perversa. Não se iludam pelo que é dito em sonetos, quadras e outros escritos poéticos, porque o amor não se guarda no coração. O amor fica encarcerado no fígado. O único órgão capaz de processar qualquer quantidade de bílis amorosa.

yesterday I lay down on the couch

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Yesterday I lay down on the sofa – lights off – and an idea jumped to the paper because I don’t want to forget the idea: lights on.

Lights off. A few seconds later, I went to draw some more lines. Lights on. I ended up for half an hour jumping off the sofa to the notebook and from the notebook to the sofa. Lights on/off – what obsession.

o boi e o jumento

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Aparentemente vai ser realizada uma grande manifestação de protesto da Comissão de Oleiros Iluminados Sempre Atentos (C.O.I.S.A.) junto à Igreja do Senhor da Cruz em Barcelos, em data a anunciar, pelo prejuízo que o sector está sentir pelo pouco escoamento de bois e jumentos.

Dezembro é a melhor altura para a exportação de jumentos para este mundo fora e agora vamos ficar com 90% deles. O país não pode avançar com tanto jumento por metro quadrado.” foi a ideia mais repetida pelo presidente da C.O.I.S.A.

A venda de bois não são uma grande preocupação do sector porque sempre serve para contrariar o excesso de vacas, nomeadamente a importação de vacas estrangeiras.

A anunciação de Bento XVI não veio, pois, no melhor momento.

duas frustações

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mota novinha em cima. uma recta perfeita de 5 quilómetros. ‘vou experimentar agora quanto esta merda atinge‘, pensa. e aí o vemos a speedar totalmente concentrado. vrummmmm. uma velocidade. duas. três e mortal despiste – dupla frustração: morreu e não chegou a ver a velocidade da merda.


a vida não vale a pena ser vivida. não faço nada certo‘, concluiu. e daí que o homem decide em boa hora, boa pelo menos para ele, por fim à sua vida com um tiro na cabeça. a bala entra no lado direito e sai no lado esquerdo do crânio e ele não morre. fica apenas em estado crítico, mas sobrevive – dupla frustração: não morreu e até a realizar uma actividade cujo sucesso só dependia dele, falha.

dedo mineiro

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Alguns farrapos avulsos.

Hoje é dia de limpeza para muita boa gente tal é a ferocidade com que escarafuncham nas narinas e pestanejam hipnotizadas para a ponta do dedo mineiro.

Em tom de brincadeira perguntei ao meu filho: “quando eu for novamente criança vais-me limpar o rabinho como fiz quando eras bébé?” A sua resposta em tom de choque foi acutilante: “Ah! Nem penses; que nojo!”
Inicialmente fiquei surpreso, depois assustado, posteriormente um sorriso aflorou os lábios quando uma ideia rompeu as trevas: tenho, assim, uma boa desculpa para ser assistido na segunda infância por uma amorosa (para o sensual) enfermeira.

fdp

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[1] existem pessoas filhas-da-puta que se dizem cristãs e que não frequentam regularmente a igreja
[2] existem pessoas filhas-da-puta que se dizem cristãs e que frequentam regularmente a igreja.
e
[3] existem pessoas filhas-da-puta que não são cristãs

Aceito que as pessoas [1] e [2] sejam filhas-da-puta, porque no livro do deus delas, a tal de Bíblia, não está escrito que:

  • Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus. [mateus 5:43-48]

e muito menos que:

  • Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus; bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus; bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. [mateus 5:3-12]

Por isso as pessoas ditas cristãs podem livremente sem temor ser filhas-da-puta. Podem desejar o mal, ser rancorosas, invejosas. Se a Bíblia nada diz em contrário estarão sempre em paz consigo próprias e acima de tudo com o Deus delas.

E as pessoas [3]? Estas não compreendo como podem ser e viver sendo filhas-da-puta. Sei que não têm um livro em que preto-no-branco estão definidas linhas morais de conduta. Não sabem como seguir o caminho do perdão e da justiça. Mas isso não serve de desculpa. Têm de se auto-corrigir, auto-educar. E se é esta falta de linhas gerais de orientação para a obtenção de uma saudável paz espiritual a desculpa. Se, assim é, aproveito para iniciar um rascunho de um livro guia chamado pura e simplesmente de O Evangelho.

Acho importante que aí se fale num campo de concentração para pecadores que se chamará de inferno. Será um lugar muito quente porque “o fogo nunca se apaga” [marcos 9:43-48]. Que sorte terão os cristãos de não estarem sujeitos a esta futura angústia. E nem poderiam estar a isso sujeitos. Se o Deus deles está impregnado de uma “infinita compaixão e misericórdia”, se é um ser de puro amor como seria possível Ele estar a condenar os seus filhos a um sofrimento eterno.

Aí se falará que a justiça é mais importante do que o amor. Porque apesar de o ideal é que todas as pessoas [3] atinjam a felicidade na penthouse nem todas terão entrada no elevador. Haverá quotas. Qualquer crime será motivo mais que válido para o castigo: o não acesso aos prazeres celestiais da penthouse. Que sorte terão os cristãos, porque a verdadeira essência do Deus deles é o perdão. Ele perdoa tudo até a blasfémia. [levítico 24:10-17]

Aí se proibirá a comida de porco. Quer-se uma alimentação mais vegetal. Que sorte têm os cristãos que podem comer tudo. [deuteronômio 14:8]

Aí não se poderá julgar os outros porque não. Que sorte têm os cristãos que podem julgar toda a gente porque sim. [lucas 6:37]

Com estes princípios as pessoas [3] serão mais tolerantes, justas e boas e poderão viver em harmonia com as [1] e as [2]. [filipenses 2:10] e [romanos 8:33]

tão felizes que nós somos

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Muitas soluções complicadas são pensadas para eliminar ou reduzir o pessimismo dos portugueses. São psicólogos, políticos, se bem que estes não pensem muito, religiosos, não necessariamente padres, enólogos, economistas, juristas, jornalistas, professores, magarefes, futebolistas, treinadores, sociólogos, picheleiros, serventes, amantes, mulheres traídas, maridos de cabeça pesada, nerds, secretárias. E todos têm A solução para a crise que assola a mente dos portugueses.

Hoje assisto em Barcelos a uma alegria histérica elevada a 231%.

“Está a nevar.”

“Está a nevar.”

É a frase do dia. É a frase do ano. É o grito do ipiranga barcelense contra o pessimismo e a recessão. De telemóveis 3G, 2G e sem Gs em punho, tal arma de arremesso contra grilhetas estupidificantes, são tiradas fotografias, feitos filmes que inundarão o youtube e os blogs pessoais. Vejo pessoas filhas-da-puta em perfeita comunhão com pessoas bué-de-fixes. Ainda não vejo leões com cordeiros, mas hoje não duvido de nada. Okay, também não vi testemunhas de Jeová em harmonia com católicos, mas vi coisas capazes de fazer tremer qualquer pessoa. A verdade é que também está muito frio. Pode ser disso. Ou não. Tenho as minhas dúvidas.

Não duvido é que basta nevar para tudo ser esquecido. Para as preocupações serem relegadas para sétimo lugar. Tantas teorias. Tanta sabedoria quando apenas um pequeno nevão aumentou animicamente o optimismo dos barcelenses. Agora basta estender a neve ao resto do nosso Portugal.

“Está a nevar.”

“Está a nevar.”

Serão, então, ouvidos gritos de selvajaria únicos e em uníssono os portugueses ficarão optimistas até que a realidade os absorva novamente e se mentalizem, mais uma vez que o Benfica, não ganhará o campeonato de futebol, que os fritos ainda fazem mal, que o IVA ainda está a 20%, que o Pato Donald ainda não casou com a Margarida, que ainda não foi descoberta a velocidade da escuridão, que a gasolina continua cara, que clicar rapidamente no botão de chamada do elevador não o faz chegar mais rápido, que os juros não descem, que o super-homem é na verdade um herói de collants, que continuará a existir anedotas sobre loiras.

boas entradas

língua
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Respirei fundo e, sem pressas, dei meia-volta até à entrada e puxei a porta envidraçada por onde tinha passado; tal como eu esperava, não se abriu.

O Sentido Latente, Nuno Neves, Editorial Presença, página 193

Estamos em 2009. Urra. Mas, quantas vezes desejamos voltar ao passado. Contudo, como, não temos a opção CTRL+Z ou o botão reset só nos resta continuar a nossa marcha inexorável sempre em draft.

Daí que não consiga compreender o desejo “Uma boas entradas“. Sempre que me dizem isso fico um pouco apalermado em responder. Sofro, como que, um lag cerebral. Claro, que acabo por responder um “igualmente“. Mas começo sem demora a repensar se haverá alguma desconhecida aleatória transformação cósmica que ocorra ao passar da meia-noite que justifique umas “boas entradas”. Mas logo me relembro que a contagem do tempo e as suas diferenças horárias são um artifício humano e não cósmico. E o cosmos não deixa nada ao acaso. Se assim não fosse bastava ir em primeiro lugar à Austrália, passar de raspão pela África do Sul e acabar pela terceira vez o último dia do ano em Los Angeles ao arrepio de qualquer regra. Seriam três hipóteses de boas entradas.

O cosmos não brinca como nós brincamos com ele. Em que ficar, então?

Há uma simples resposta. Nós festejamos a entrada de um novo ano, não porque algo vai mudar, mesmo que dependente de circunstâncias fortuitas, mas, só e apenas, para enfardar comida e para emborcar bebida pela simples razão. porque sim.