corpo aberto

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Nos tempos em que acompanhava agrilhoado a minha mãe às bruxas, porque sofria do mal de inveja, ia de tal forma agoniado que as minhas tripas sofriam uma constante convulsão vulcânica; “Este rapaz tem o corpo aberto!” era sempre a resposta das mulheres seláquias quando o wc se transformava no meu natural refúgio. E o facto de estar agarrado dolorosamente à minha barriga enquanto as tripas lançavam jactos de fezes derretidas numa sanita desgastada não pelo uso, mas pela falta de limpeza, era a cereja no topo das vidências; os santos demónios que coabitavam com as profetas da pureza espiritual tinham conseguido uma vez mais concretizar um bom trabalho: fazerem-me evacuar.

Nunca pensei que esse acto biológico da mais perfeita normalidade se transfigurasse numa troca comercial; eu defecava e a minha mãe pagava.

Eram outros tempos; tempos de merda.

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