tintin no país dos filósofos

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Só descobri que a banda desenhada que adoro e que me divertia imenso ler e que ainda me diverte podia ser uma “coisa” séria e caso de estudo foi quando vi em exposição o livro “Tintin no Psicanalista” de Serge Tisseron (Bertrand Editora, 1987).
Li-o mais por curiosidade e fiquei atarantado pela análise que é feita não apenas à personagem Tintin, mas a todo o seu universo. Foi mais o subtítulo da obra “Ensaio sobre a criação gráfica e a encenação dos seus dados na obra de Hergé” que me despertou grande interesse na sua leitura e que até me arrancou um “olha-me isto!”
Recomendo-o naturalmente.

tintin au pays des philosophes

Mas o motivo deste post foi a aquisição do Hors-Série da “Philosophie Magazine” (setembro.2010) de título “TINTIN au pays des Philosophes”. Li-a depois do quinto álbum do Gaston e é de uma leitura suave e um número espectacular. A revista é de capa dura e com temas que nos obrigam a reler os álbuns de Tintin de outra forma.

“Milou contre Descartes”, “Le courage selon Tintin”, “Le mystère de la trinité”, “L’écrin du monde”, “Le réel et son double”, “Le décalage du rire” entre outros artigos permitem dar razão a Sven Ortoli quando este no editorial escreve:

S’il existe une manière faussement paresseuse et vraiment joyeuse de faire de la philosophie, c’est bien en lisant Tinti !

 

A colaboração da Philosophie Magazine com as edições Moulinsart e com cumplicidade de Michel Serres, Pascal Bruckner, Clément Rosset, Philippe Descola e muitos outros permite ver a profundidade histórica e filosófica de Tintin e do seu criador Hergé. E quem não se recorda destes dizeres:

Tintin (e todos os outros) sou eu, tal como Flaubert dizia: “Madame Bovary sou eu!”. São os meus olhos, os meus sentidos, os meus pulmões, as minhas tripas… Creio que sou o único a poder animá-lo no sentido de lhe dar uma alma. É uma obra pessoal, tal como o é a obra de um pintor ou dum romancista. Não é uma indústria! Se outros pegassem em “Tintin”, talvez o fizessem melhor, talvez menos bem. Uma coisa é certa, fá-lo-iam de outra forma e, assim deixava de ser “Tintin”.

Eu criei-o, protegi-o, alimentei-o como um pai cria um filho.

Tintin et moi. Entretiens avec Hergé, Numa Sadoul, Casterman, 1975, páginas 45-46

 

Neste Hors-Série temos um manual de moral, uma aula de antropologia, pensamentos sobre a arte, uma reflexão sobre o rir, … entre outras considerações.

Brilhante. Uma peça a ler e a coleccionar.

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4 thoughts on “tintin no país dos filósofos

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