o banho da margarida

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Na quinta-feira? passada a minha mulher saiu de casa para apanhar o filho mais velho na casa de um familiar. Fiquei responsável pelo banho da mais pequena.
A minha mais-que-tudo deu as instruções da forma mais perfeita e com a indicação de serem executadas numa dada sequência:

  • usas o champô verde da Johnson, aquele ali – apontou -, que é o indicado para ela
  • deves enxaguar o cabelo várias vezes por causa dos caracóis
  • no fim do banho secar bem com uma toalha – suavemente, não estás a limpar os pratos
  • não te esqueças do amaciador para pentear os cabelos. Sem isso o pentear vai doer porque tem os cabelos cheios de caracóis
  • penteia para baixo
  • agarra no cabelo se isso te ajudar

“Percebido?”
“Claro e cristalino!” – respondi, apenas, para a despachar rapidamente da casa. As instruções eram avassaladoras. E isto é que retenho ainda de memória.

Das vezes anteriores que dei banho à Margarida apenas a meti na banheira; usava o champô/gel que tinha um qualquer boneco infantil; deixava-a brincar durante imenso tempo na água da banheira; puxava o tampão do ralo para a água escoar (evitando assim choros – “a água fugiu… oops”); secava-a com uma tolha sacada ás cegas do armário; ela escolheu as cuecas que queria vestir; e…. tudo executado numa caótica perfeição.

Desta vez olhei apalermado para a quantidade de champôs, geles e outros frascos que existem na casa de banho. Após a saída da mulher já na sala, sentei-me no sofá a ruminar no stress que me tinha sido imposto por aquelas instruções. O banho deixou de ser uma coisa divertida de fazer e tornou-se num qualquer fluxograma complexo.

“Miúda… não te apetece fazer alguma coisa de especial?”, perguntei esperançado por uma fuga ao banho.
“Podíamos ir ao Subatha… estou com fome!”, respondeu com um tom de salutar mimo; a lançar o isco.

“Olha, a miúda disse que estava com fome. Quando vieres passa pelo Subatha. Estamos por lá à vossa espera. Ah! E o banho? Depois dás tu o banho, não vou deixar a rapariga com fome que ela quer abafar com umas salsichas grelhadas e ketchup…. pois ela jantou bem, mas sabes como são as crianças… até já?!” – telemóveis adoráveis.

Já no Subatha a beber um suave Jameson sem gelo e a admirar os rodopios da minha filha ao som de uma música ambiente verdadeiramente relaxante não pude deixar de pensar que a sua escolha foi inteligente.

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