“aquelas coisas”

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Só reparei no sujeito quando este me tocou no ombro. Extraí os “phones” das orelhas para ouvir a primeira brincadeira do dia de um conhecido-desconhecido; aquele tipo de pessoa que nunca é vista durante anos e que por milagre, acaso, tragédia se cruzam comigo, para depois regressarem a qualquer limbo:
“Então meu, enviaram-me o link do teu blog, nem sabia que tinhas um, tens conta no Hi5?, foi ontem, e nem sabia que andas naquelas coisas?”
“Coisas? Naquelas coisas? Faço tantas coisas boas. A quais delas te referes?”
“À seita dos amarelos, dos crexina! Foi demais ver a tua foto. Man, estavas mesmo feliz! Só podias, para estares no meio daquela cena!? Tens email? O que era aquela comida que tem na foto? É boa? Ainda te vou ver de cabeça rapada com um pedaço de cabelo pendurado… Demais. Vais fazer mais daquilo? E houve dança? E então não dizes nada?”
“É-me dificílimo dizer alguma coisa enquanto não páras de falar com esse entusiasmo to…”
“Sabes já vi várias vezes disso em Lisboa e até fui ao youtube ver se se fazia mais disso em Portugal?”
“E faz-se?”
“Ya, por tudo o lado é demais os crexinas com o hare crexina todos contentes! Até dançam? lol! Vi um no castelo de São Jorge. Gajos malucos. Ouve, mas és crexina?”
“Não sou Krishna longe disso. Quanto muito posso ser um devoto muito iniciado de Krishna. Mas fico verdadeiramente satisfeito que aquelas fotos te tenham alegrado imenso; o suficiente para te encontrares hoje aqui comigo, por onde passo 5 dias por semana, sem falta, desde sempre, a caminho da escola. Estás contente por descobrires que eu estava “naquelas coisas” e foste pesquisar na net mais sobre as “coisas”? Fico feliz por descobrires uma filosofia de vida que te estava a passar ao lado. Gostava mesmo de continuar a falar contigo, mas preciso de ir trabalhar.”
“Ya, na boa.”
“Segunda-feira aparece e conversamos mais um pouco sobre as “coisas” que eu fiz e que te fizeram tão contente. Porta-te bem!”

harinama em braga

harinama em braga

Não sei se ele vai aparecer na segunda-feira, mas não deixa de ser surpreendente que “aquelas coisas” façam com que certas pessoas saiam do covil e aqui covil é escrito no bom sentido – claro.

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