dois sims

pato
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Hoje, uma vez mais, fui expulso da cama pela minha mulher. Senti-me um ió-ió. Umas alturas quer o meu calor e beneficiar das minhas capacidades tântricas, outras vezes empurra-me da cama abruptamente apenas porque o relógio diz-lhe que as horas para ir laborar se encurtam. É desculpa. É? Desde quando é que ela é o meu relógio de cuco? Hummmm… Desde que ela consegue acordar com o despertador e eu não… talvez seja isso?

Mas não é isto que devo destacar na manhã do dia de hoje. Ocorreram duas coisas. Uma menos grave e outra mais grave.

A coisa menos grave foi o facto de chegado à cozinha e após a toma dos dois comprimidos habituais olhar para o relógio lá pendurado no alto e reparar que o ponteiro dos minutos estava no número nove e sair disparado de casa com o saco de lixo na mão. Estranho não ver as habituais pessoas na rua e olhei para o relógio de pulso e são 8h.25m – pois, já me lembro, são precisas pilhas para o relógio da cozinha. Aproveitei o tempo de sobra? e fui fazer “horas” para o parque, enfim ver os patos.

A coisa mais grave, veio na ocorrência do jantar de ontem com dois autênticos pândigos, p. e h.; quando lhes confidenciei que sempre que me vinha à mente um breve farrapo, uma ideia perante um acontecimento observado ou uma frase ouvida, pegava no pequeno caderno de apontamentos e registava numa folha branca ali mesmo na rua, no café, em qualquer lugar, onde a ideia tinha despertado, algumas palavras para futuro desenvolvimento no meu blog, persuadiram-me – e agora que escrevo isto devidamente distanciado dos copos, dos tremoços, da chouriça, do hambúrguer, talvez tenha sito da Mc Chouffe ou da Duvel – a usar o gravador do meu telemóvel: “Paulo nem parece teu não usares as novas tecnologias. E sempre podes disfarçar que está a falar com alguém.”

Tenho um Nokia N80 e para facilitar o uso do gravador decidi substituir nas opções do “Modo de Espera” a tecla de selecção directa, actualmente, “Galeria” por “Gravador de Voz” – pensado e executado enquanto subia a Avenida Alcaides de Faria.
No parque da cidade já estava de telemóvel encostado ao ouvido a falar para ninguém. Encontro-me com um agradável conhecido, páro de falar, emito um cumprimento rápido, e aponto para o telemóvel a desculpar-me porque não posso ficar por ali a trocar algumas palavras, quando o telemóvel toca….
… olho para o telemóvel, olho para o agradável conhecido surpreendido e comento, após atender a chamada, o quanto detesto as novas tecnologias, que não devia ter comprado um telemóvel que permite a utilização simultânea de dois cartões SIM porque corta a chamada do outro número sem aviso, que ainda por cima tenho agora de ligar para a outra pessoa e gastar saldo do cartão. Durante 5 minutos ficamos ali, junto aos patos, a comentar e a acenar em concordância que a tecnlogia é coisa do demo e que os telemóveis nos tiraram a liberdade e o sossego.

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