polícias e ladrões

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Lembra-te que obrigam constantemente os membros do oposto a trabalhar por elas. Não há nada a dizer contra a sua intromissão nos negócios, desde que as suas emoções ou os seus cabelos não sejam minimamente cortados. Nesse momento, há necessidade de lhes oferecer um imbecil qualquer, que arqueje ao respirar e use bigode loiro, com o aditamento de desejar cinco filhos e oferecer uma casa pré-fabricada a prestações(…)

“Polícias e Ladrões”, Colecção Vampiro, n.º 662, página 64

William Sydney Porter, mas conhecido por O. Henry é um escritor norte-americano de contos inteligentes e com finais inesperados. Com mais de 600 contos publicados O. Henry (1862-1910) teve uma vida turbulenta. Morreu a 05.06.1910 com 52 anos vítima de cirrose.

O livro que li (“Polícias e Ladrões”, Colecção Vampiro, n.º 662) tem alguns dos seus melhores contos

  • A Retrieved Reformation (Reforma Adiada)
  • The Ransom of Red Chief (O Resgate)

e outros que são uma autêntica paródia a dois grandes detectives de papel: Monsieur Lecoq [1] e Sherlock Holmes. As suas personagens são respectivamente Tictoq e Shamrock Jolmes.
Em “Tictoq, O Grande Detective Francês” o grande detective é encarregado de descobrir o paradeiro de umas peúgas.

(…)desmascarei-o e privei-o das peúgas que calçava. Aqui as têm.
Com um gesto dramático, deposita em cima da mesa um par de peúgas consideravelmente usadas e cruza os braços sobre o peito, inclinando a cabeça para trás.

págs 108 e 109, “Polícias e Ladrões”, Colecção Vampiro, 662

N’ “As Aventuras de Shamrock Jolnes” temos autênticas deduções que fariam corar o verdadeiro mestre das deduções. Apesar de ter lido o livro em português coloco o texto respectivo em inglês, pois não consegui ter o OCR a funcionar e não sendo muito texto para escrever é muita preguiça que sinto.

“Good morning, Whatsup,” he said, without turning his head. “I’m glad to notice that you’ve had your house fitted up with electric lights at last.”

“Will you please tell me,” I said, in surprise, “how you knew that? I am sure that I never mentioned the fact to any one, and the wiring was a rush order not completed until this morning.”

“Nothing easier,” said Jolnes, genially. “As you came in I caught the odor of the cigar you are smoking. I know an expensive cigar; and I know that not more than three men in New York can afford to smoke cigars and pay gas bills too at the present time. That was an easy one.

págs 108 e 109, “Polícias e Ladrões”, Colecção Vampiro, 662

Sem negar a qualidade dos 2 contos referidos no topo deste registo e de outros que fazem parte da edição Livros do Brasil o que me surpreendeu foi “Hearts and Hands” (Mãos e Corações). Quem desejar pode ler a história completa aqui. (apenas em inglês)


informações
[1] Inspirado em Vidocq [2], que é considerado um dos primeiros grandes investigadores modernos. É-lhe apontado ter introduzido na investigação criminal a manutenção de registos, criminologia e a balística. Foi o primeiro investigador a fazer um molde em gesso de uma pegada de sapatos. Gérard Depardieu em 2001 num filme realizado por Pitof personifica Vidocq.
[2] C. Auguste Dupin, criação de Edgar Allan Poe, é considerado o primeiro detective da literatura. Teve a sua estreia “Os Crimes da Rua Morge” (1841). Dupin inspirou outras grandes criações como Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Na primeira história de Holmes (“Um Estudo em Vermelho” (1887)), o Doutor Watson compara Holmes a Dupin. Este sente-se ofendido e ataca as capacidades de Lupin e de Lecoq.
You remind me of Edgar Allen Poe’s Dupin. I had no idea that such individuals did exist outside of stories.”
Sherlock Holmes rose and lit his pipe. “No doubt you think that you are complimenting me in comparing me to Dupin,” he observed. “Now, in my opinion, Dupin was a very inferior fellow. That trick of his of breaking in on his friends’ thoughts with an apropos remark after a quarter of an hour’s silence is really very showy and superficial.[3] He had some analytical genius, no doubt; but he was by no means such a phenomenon as Poe appeared to imagine.”
“Have you read Gaboriau’s works?” I asked. “Does Lecoq come up to your idea of a detective?”
Sherlock Holmes sniffed sardonically. “Lecoq was a miserable bungler,” he said, in an angry voice; “he had only one thing to recommend him, and that was his energy. That book made me positively ill. The question was how to identify an unknown prisoner. I could have done it in twenty-four hours. Lecoq took six months or so. It might be made a text-book for detectives to teach them what to avoid.”
[4]
[3] Em português o conto de Poe aqui referido (“Os Crimes da Rua Morge”) pode ser lido no n.º 279, pág. 13 (1981) da colecção Livros de Bolso das Publicações Europa-América.
[4] Este texto pode ser lido português no primeiro volume (pág. 30) da colecção “Aventuras de Sherlock Holmes”, editado pelo Círculo de Leitores (1982)
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