tão felizes que nós somos

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Muitas soluções complicadas são pensadas para eliminar ou reduzir o pessimismo dos portugueses. São psicólogos, políticos, se bem que estes não pensem muito, religiosos, não necessariamente padres, enólogos, economistas, juristas, jornalistas, professores, magarefes, futebolistas, treinadores, sociólogos, picheleiros, serventes, amantes, mulheres traídas, maridos de cabeça pesada, nerds, secretárias. E todos têm A solução para a crise que assola a mente dos portugueses.

Hoje assisto em Barcelos a uma alegria histérica elevada a 231%.

“Está a nevar.”

“Está a nevar.”

É a frase do dia. É a frase do ano. É o grito do ipiranga barcelense contra o pessimismo e a recessão. De telemóveis 3G, 2G e sem Gs em punho, tal arma de arremesso contra grilhetas estupidificantes, são tiradas fotografias, feitos filmes que inundarão o youtube e os blogs pessoais. Vejo pessoas filhas-da-puta em perfeita comunhão com pessoas bué-de-fixes. Ainda não vejo leões com cordeiros, mas hoje não duvido de nada. Okay, também não vi testemunhas de Jeová em harmonia com católicos, mas vi coisas capazes de fazer tremer qualquer pessoa. A verdade é que também está muito frio. Pode ser disso. Ou não. Tenho as minhas dúvidas.

Não duvido é que basta nevar para tudo ser esquecido. Para as preocupações serem relegadas para sétimo lugar. Tantas teorias. Tanta sabedoria quando apenas um pequeno nevão aumentou animicamente o optimismo dos barcelenses. Agora basta estender a neve ao resto do nosso Portugal.

“Está a nevar.”

“Está a nevar.”

Serão, então, ouvidos gritos de selvajaria únicos e em uníssono os portugueses ficarão optimistas até que a realidade os absorva novamente e se mentalizem, mais uma vez que o Benfica, não ganhará o campeonato de futebol, que os fritos ainda fazem mal, que o IVA ainda está a 20%, que o Pato Donald ainda não casou com a Margarida, que ainda não foi descoberta a velocidade da escuridão, que a gasolina continua cara, que clicar rapidamente no botão de chamada do elevador não o faz chegar mais rápido, que os juros não descem, que o super-homem é na verdade um herói de collants, que continuará a existir anedotas sobre loiras.

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3 thoughts on “tão felizes que nós somos

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