boas entradas

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Respirei fundo e, sem pressas, dei meia-volta até à entrada e puxei a porta envidraçada por onde tinha passado; tal como eu esperava, não se abriu.

O Sentido Latente, Nuno Neves, Editorial Presença, página 193

Estamos em 2009. Urra. Mas, quantas vezes desejamos voltar ao passado. Contudo, como, não temos a opção CTRL+Z ou o botão reset só nos resta continuar a nossa marcha inexorável sempre em draft.

Daí que não consiga compreender o desejo “Uma boas entradas“. Sempre que me dizem isso fico um pouco apalermado em responder. Sofro, como que, um lag cerebral. Claro, que acabo por responder um “igualmente“. Mas começo sem demora a repensar se haverá alguma desconhecida aleatória transformação cósmica que ocorra ao passar da meia-noite que justifique umas “boas entradas”. Mas logo me relembro que a contagem do tempo e as suas diferenças horárias são um artifício humano e não cósmico. E o cosmos não deixa nada ao acaso. Se assim não fosse bastava ir em primeiro lugar à Austrália, passar de raspão pela África do Sul e acabar pela terceira vez o último dia do ano em Los Angeles ao arrepio de qualquer regra. Seriam três hipóteses de boas entradas.

O cosmos não brinca como nós brincamos com ele. Em que ficar, então?

Há uma simples resposta. Nós festejamos a entrada de um novo ano, não porque algo vai mudar, mesmo que dependente de circunstâncias fortuitas, mas, só e apenas, para enfardar comida e para emborcar bebida pela simples razão. porque sim.

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