contos irónicos

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– Já não aguento mais – disse a rapariga subitamente -, já não aguento mais, é desumano o que exiges. Há homens que exigem coisas imorais de uma rapariga, mas o que tu exiges de mim é quase mais imoral de que as coisas que outros homens exigem de uma rapariga.
Murke suspirou.
– Meu Deus – disse. – Querida Rina, tenho de voltar a cortar tudo isto; sê sensata, sê boazinha, e silencia-me ainda pelo menos mais 5 minutos de fita.
(…)
– Ai, Rina – disse -, se tu soubesses o quanto me é precioso o teu silêncio. À noite, quando estou cansado, quando tenho de estar aqui sentado, passo o teu silêncio. Por favor, sê gentil e silencia-me só mais três minutos e poupa-me os cortes; bem sabes o que significa para mim cortar.

Heinrich Böll, Contos Irónicos
título original: Erzählungen
tradução: Veronika de Vasconcelos
editor: Europa-América, Livros de Bolso, n.º 346, 1983, Mem Martins
citação: pág. 83

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